|
Abstract:
|
O presente trabalho aborda o problema da demarcação entre ciência e pseudociência, ressaltando sua relevância não apenas teórica e filosófica, mas também social e política. O objetivo principal é realizar uma reconstrução histórica do debate para analisar a viabilidade e os tipos de demarcação possíveis na atualidade. Metodologicamente, a pesquisa revisita a origem contemporânea do problema a partir do falseacionismo de Karl Popper e dos debates sobre os enunciados protocolares no Círculo de Viena, adotando a noção de pseudorracionalismo de Otto Neurath como perspectiva crítica de avaliação. Em seguida, aborda-se a tese de Larry Laudan sobre o fim do problema da demarcação, o que serve de transição para o ressurgimento da discussão por meio das abordagens multicriteriais de Massimo Pigliucci e Mario Bunge, focadas na diversidade inerente à prática científica. Discute-se também o novo problema da demarcação, centrado na separação gradual entre as influências legítimas e ilegítimas de valores não-epistêmicos nas escolhas teóricas. Conclui-se que o tema continua atual e intrincado, exigindo soluções complexas que evitem assumir ideais inalcançáveis. Por fim, sugere-se a pertinência de se associar o multicriterialismo à demarcação por valores e aponta-se a formulação de uma definição prévia do conceito de ciência como um possível caminho para demarcá-la. |