|
Abstract:
|
O presente artigo analisa a relação entre o modelo de autoexploração característico da sociedade do desempenho e a manutenção da dependência financeira do jovem profissional brasileiro, projetando os riscos de exclusão decorrentes da automação por Inteligência Artificial. A pesquisa é qualitativa de natureza exploratória, combinando revisão bibliográfica integrativa e pesquisa documental sistemática com base em relatórios institucionais de organizações nacionais e internacionais. Os resultados demonstram que a autoexploração, o ciclo de subsistência, a terceirização da pressão organizacional e a exposição desigual à automação constituem elos de um mesmo encadeamento estrutural. O jovem brasileiro de 18 a 29 anos, inserido em vínculos precários e desprovido de reservas financeiras, é simultaneamente o mais exposto ao deslocamento tecnológico e o menos equipado estruturalmente para responder a ele. Conclui-se que a resiliência frente à automação exige abordagem integrada nas dimensões técnica, econômica e psicopolítica, e que a narrativa do reskilling individual, ao transferir ao trabalhador a responsabilidade por uma adaptação estruturalmente inviabilizada, reproduz a lógica fundamental da sociedade do desempenho. |