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Abstract:
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Esta pesquisa analisa a construção social do risco de desastres hidrometeorológicos
no bairro Monte Verde, em Florianópolis/SC. Situado ao norte do distrito Sede, na
Bacia Hidrográfica do Saco Grande, foi escolhido pelo Estado, através da COHAB,
para receber conjuntos habitacionais de habitação popular a partir do final da
década de 1970 e apresenta registros de desastres hidrometeorológicos desde a
década de 1980. O objetivo central é investigar como a produção desigual do
espaço urbano materializou o risco nessa localidade. A fundamentação teórica
baseia-se nos conceitos de agentes produtores do espaço (Corrêa, 1989) e na
sociologia dos desastres (Veyret, 2007; Valêncio, 2009). Metodologicamente, a
pesquisa consistiu em revisão bibliográfica crítica, análise da bibliografia sobre os
Planos Diretores de Florianópolis (1955-2023) e mapeamento geoespacial da
ocupação das áreas críticas ambientalmente em software SIG. Os resultados
demonstram que a centralização e a seletividade espacial induziram o adensamento
populacional sobre áreas suscetíveis, resultando em desastres recorrentes. O
mapeamento revelou que aproximadamente 25% das edificações do bairro
encontram-se em áreas de inundação ou APP de curso d’água, cenário que
culminou no desastre recente de janeiro de 2025, com o registro de 344 mm de
chuva em apenas 24 horas. Conclui-se que o risco no Monte Verde é um produto
direto de um planejamento urbano que prioriza interesses corporativos e a
valorização das áreas de interesse dos grupos da elite, relegando as populações de
menor renda a territórios de "outros riscos" sistematicamente negligenciados pelo
Estado. |