|
Abstract:
|
Este trabalho analisa de que maneira as relações entre memória, materialidade e história, expressas por pesquisadores indígenas Paiter Suruí, Oro Mon Wari’ e Makurap podem orientar propostas de museologia colaborativa em instituições de memória. A pesquisa toma como eixo as materialidades da castanheira e do marico, compreendidas como elementos que articulam território, cosmologias e redes de trocas interétnicas no sudoeste amazônico, mais especificamente no estado de Rondônia. Com base em revisão bibliográfica sobre antropologia da cultura material, memória social, colonialidade do saber e museologia crítica, e na análise de entrevistas realizadas com pesquisadores indígenas vinculados ao projeto História às Margens, buscou-se compreender como esses interlocutores pensam a representação dessas materialidades em espaços expositivos. A análise evidenciou que castanheira e marico são entendidos como suportes de memória e agência, associados a narrativas de origem, deslocamento, trabalho e resistência. Portanto, conclui-se que a museologia colaborativa, quando construída a partir dessas perspectivas, pode tensionar modelos museológicos hegemônicos e ampliar a participação indígena na definição de narrativas e processos curatoriais. |