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Abstract:
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Este trabalho, inserido na Psicologia Educacional, analisa os impactos da
escolarização na identidade e no bem-estar emocional (teko porã e vy’a porã) dos
estudantes Guarani Mbya da Aldeia Araça’i. A pesquisa parte da premissa de que a
educação formal, ao seguir um modelo ocidentalizado, torna-se um espaço de conflito
identitário e violência epistêmica (epistemicídio), gerando sofrimento psíquico, medo de
discriminação e risco de apagamento do nhande reko (modo de ser Guarani), conforme
relatado pelos estudantes e lideranças. A metodologia é qualitativa, etnográfica e
participativa, baseada em conversas semiestruturadas com seis membros da
comunidade (estudantes, professor, mãe, xamõi e jaryi) e observação participante em
espaços educativos, como a Opy (casa de reza). Os resultados demonstram a urgência
de uma educação que atue como resistência cultural, centralizando a língua, a
espiritualidade e o território, e reconhecendo a Opy como a primeira escola. O estudo
conclui pela necessidade imperativa de práticas pedagógicas interculturais para
transformar o ambiente escolar em um espaço de cura e fortalecimento da identidade,
visando promover a autonomia educacional e contribuir com políticas públicas
alinhadas às dimensões coletivas e espirituais dos povos originários. |