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Abstract:
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O crescimento das fraudes digitais nas últimas duas décadas não representa apenas
uma expansão quantitativa da criminalidade, mas uma transformação qualitativa em
sua forma de organização. Nesse contexto, o modelo conhecido como Fraud-as-aService (FaaS) emerge como uma das expressões mais sofisticadas da
industrialização do cibercrime, ao estruturar a atividade fraudulenta a partir da
especialização funcional, da terceirização de serviços ilícitos e da coordenação
modular entre atores dispersos. Apesar de sua relevância empírica, a literatura
acadêmica ainda carece de modelos teóricos integradores capazes de explicar o FaaS
para além de descrições fragmentadas baseadas em redes, mercados ou crime
organizado tradicional. Este artigo desenvolve uma análise teórica aprofundada sobre
o FaaS, dialogando com estudos recentes sobre firmas criminosas, mercados ilícitos
digitais e a conceptualização do crime organizado no ciberespaço. A partir desse
diálogo, propõe-se um modelo classificatório replicável para a análise das facções
digitais contemporâneas, considerando dimensões como estrutura organizacional,
governança extralegal, divisão do trabalho e lógica de mercado. Ao reconhecer o
FaaS como uma arquitetura criminal híbrida, o estudo contribui para o avanço teórico
da criminologia digital e oferece implicações analíticas relevantes para políticas
públicas, investigação criminal e estratégias institucionais de prevenção à fraude. |