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Abstract:
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O presente trabalho tem como objetivo analisar as concepções de estado de natureza, legitimidade política e construção da ordem social presentes na tradição contratualista, com foco nas formulações teóricas de Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau. A partir de uma abordagem qualitativa e teórico-analítica, busca-se compreender de que maneira essas interpretações clássicas sobre a origem da autoridade política podem contribuir para refletir sobre contextos de colapso institucional e reorganização da vida coletiva. Como recurso analítico complementar, utiliza-se o universo ficcional da obra The Last of Us, originalmente lançada como videogame em 2013 pela desenvolvedora Naughty Dog e posteriormente adaptada para série televisiva em 2023. Nesse cenário narrativo, o colapso do Estado moderno ocasionado por uma pandemia fictícia cria condições que permitem observar diferentes formas de organização social emergindo em meio à ausência de uma autoridade centralizada. A pesquisa parte da hipótese de que as facções presentes na narrativa — como FEDRA, Vagalumes, WLF, Serafitas e a comunidade de Jackson — podem ser interpretadas como representações simbólicas de diferentes concepções de ordem, autoridade e legitimidade política. Dessa forma, o trabalho propõe uma articulação entre teoria política clássica e representação cultural contemporânea, utilizando a ficção como instrumento heurístico para problematizar os limites e as possibilidades da reconstrução da ordem social em contextos de crise institucional. Ao revisitar o contratualismo sob essa perspectiva, busca-se contribuir para o debate acerca das formas pelas quais sociedades humanas procuram estabelecer mecanismos de convivência, autoridade e pertencimento diante da ausência ou fragilidade das instituições políticas tradicionais. |