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Abstract:
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O crime organizado contemporâneo opera sob estruturas reticulares, descentralizadas e digitalmente mediadas, impondo desafios significativos às metodologias tradicionais de produção de conhecimento na Inteligência Policial. Neste contexto, a integração entre Análise de Redes Sociais (ARS) e Inteligência Artificial (IA) apresenta-se como alternativa promissora para ampliar a capacidade de processamento e interpretação de grandes volumes de dados. O presente trabalho analisa as potencialidades, limitações e implicações institucionais dessa integração, com o objetivo de sistematizar boas práticas para seu uso responsável no enfrentamento ao crime organizado. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, exploratória e aplicada, desenvolvida por meio de revisão narrativa estruturada com categorização temática fundamentada em Bardin. A análise permitiu identificar cinco dimensões centrais recorrentes na literatura: arquiteturas tecnológicas, fontes de dados, áreas de aplicação criminal, dimensões éticas e métricas de desempenho. A partir da síntese dessas categorias, propõe-se o modelo denominado Ciclo de Inteligência Algorítmica em Redes Sociais para Segurança Pública (CIARSP), estruturado em seis etapas integradas que articulam coleta forense, curadoria de dados, processamento multimodal, explicabilidade algorítmica, avaliação de robustez e governança contínua. O CIARSP constitui a principal contribuição deste estudo, oferecendo um framework conceitual para orientar a incorporação responsável da inteligência artificial nas instituições de segurança pública brasileiras. Conclui-se que a IA pode atuar como multiplicadora de capacidade analítica, desde que subordinada à supervisão humana qualificada, à conformidade normativa e aos princípios do Estado Democrático de Direito. |