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Abstract:
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Cerca de 193 milhões de pessoas são afetadas anualmente por desastres, conforme estudo
realizado pelo Centre of Research on the Epidemology of Disasters (CRED) da Universidade
UCLouvain, em Bruxelas. Segundo o United Nations Office for Disaster Risk Reduction somente os
desastres de início súbito, como enchentes e ciclones, resultam em cerca de 14 milhões de
desabrigados e desalojados a cada ano, incluindo aqueles que deixam suas casas por prevenção.
No contexto brasileiro, as enchentes também lideram os rankings de fatalidades e de prejuízos
financeiros, com eventos catastróficos marcando a história recente de diversos estados do país,
como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O estado de Santa Catarina também possui longo
histórico de eventos climáticos, incluindo centenas de casos oficiais de inundações registrados
entre 1991 e 2012. A capital, Florianópolis, também demonstrou sua vulnerabilidade no decorrer
dos últimos anos, como na enchente de 1995, que deixou mais de 7 mil pessoas desabrigadas, ou
em 2018, quando só em janeiro registrou 3.500 desalojados e mais de 300 desabrigados em razão
das chuvas, evidenciando a necessidade de políticas eficazes de gestão de risco.
Entre os anos de 1995 e 2014, os desastres naturais envolvendo enchentes deixaram um saldo
de mais de 185 mil habitações destruídas e um número superior à 1.800.000 de unidades
danificadas no país (CEPED UFSC, 2016). Mais recente, em 2024, a tragédia no Rio Grande do Sul
afetou sozinha 478 das 497 cidades gaúchas, com quase 2,4 milhões de pessoas impactadas, e
resultou em 184 mortes e 806 feridos, cerca de 146 mil pessoas desalojadas e mais de 50 mil
desabrigadas.
Para além das estatísticas, as inundações reverberam profundamente na vida dos atingidos,
destruindo lares, memórias e o senso de comunidade. Este impacto tende a ser mais severo em
locais de ocupação precária, como encostas e manguezais, atingindo com maior vigor as
populações social e racialmente marcadas e de menor poder aquisitivo. Diante da perda de
residências, a implementação de abrigos de qualidade torna-se uma necessidade imediata para
garantir a dignidade, a recuperação saudável e o bem-estar dos desabrigados.
Este trabalho se insere nas etapas de Resposta ao Desastre e Recuperação, conforme previsto
pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC), tendo como objetivo central o
desenvolvimento de um projeto de Abrigo Transitório em Wood Frame, que garanta dignidade
durante a reestruturação dos atingidos por desastres. A proposta busca ser uma estratégia de
realocação que minimize os impactos do desalojamento, combinando características de
tecnologia construtiva e gestão de recursos e evitando a revitimização socioespacial dos atingidos.
Para isso, o estudo parte da conceituação de desastres, da análise da política de gerenciamento e
do estudo de modelos de abrigos existentes, visando propor uma solução que ofereça um retorno
digno à vida das populações afetadas. |