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O trabalho analisa como se configuraram os discursos parlamentares sobre a Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Congresso Nacional, a partir da sistematização de 89 documentos legislativos proferidos entre 2009 e 2013. O objetivo é compreender como diferentes argumentos foram mobilizados no processo de construção política da obra e como esses discursos expressaram disputas em torno de desenvolvimento, energia e impactos socioambientais. A pesquisa utiliza análise de conteúdo e codificação temática no software MAXQDA, por meio da elaboração de categorias empíricas que permitem identificar padrões de sentido recorrentes, formas de conexão entre códigos e aproximações entre partidos políticos e temas debatidos. O estudo descreve o contexto histórico e político que antecedeu a implantação da usina, situando a expansão hidrelétrica na Amazônia como parte de um projeto mais amplo de integração territorial e aumento da oferta de energia. A análise dos documentos revela que os parlamentares acionaram, de maneira assimétrica, códigos relacionados a impactos socioambientais, denúncias de irregularidades, licenciamento ambiental, audiências públicas, populações indígenas e ribeirinhas, além de argumentos que defendem Belo Monte como oportunidade de desenvolvimento regional e fortalecimento econômico. Os mapas de códigos mostram a concentração de temas críticos em partidos. Os resultados evidenciam que o campo discursivo se estruturou por meio de disputas contínuas, nas quais manifestações contrárias foram mais numerosas, mas discursos favoráveis mantiveram posições estratégicas no debate, contribuindo para a sustentação institucional do empreendimento no interior do Congresso. |
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