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Abstract:
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A transição energética global reposiciona o litoral do Nordeste brasileiro como fronteira estratégica para a expansão da energia eólica offshore. A presente pesquisa analisa a inserção do estado do Ceará nessa dinâmica, investigando se a implementação desses megaprojetos representa um avanço sustentável ou a reprodução de lógicas de expropriação territorial. Fundamentado na Geografia Crítica e na teoria do Capitalismo Climático, o estudo adota uma abordagem quali-quantitativa que articula revisão bibliográfica, investigação da estrutura societária das empresas e geoprocessamento crítico. A metodologia consiste na análise espacial dos 26 projetos em licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama, cruzando-os com dados cartográficos da pesca artesanal. Os resultados revelam uma profunda assimetria geopolítica: o capital transnacional controla cerca de 73% dos empreendimentos, com protagonismo de petrolíferas e estatais europeias, evidenciando a financeirização dos recursos naturais. A cartografia de conflitos demonstra a sobreposição direta dos polígonos industriais sobre 186,6 km² de territórios pesqueiros consolidados, configurando um processo de cercamento do mar. Conclui-se que o discurso da sustentabilidade opera localmente como mecanismo de Greenwashing Territorial, legitimando a conversão do litoral cearense em uma "Zona de Sacrifício Verde", em que a descarbonização das economias centrais ocorre mediante a desterritorialização de comunidades tradicionais. |