|
Abstract:
|
Partindo da experiência etnográfica levada a cabo pelo projeto de extensão "Saberes e práticas tradicionais associadas à pesca com auxílio de botos em Laguna (SC) e demais ocorrências no Sul do Brasil", este trabalho propõe uma revisão de determinadas categorias analíticas da antropologia pela filosofia de veia pragmatista para preencher alguns vácuos no que diz respeito ao tratamento do que entendemos por "trabalho" quando confrontado com tal paisagem. Sabemos, graças a experiência de Laguna, Tramandaí e demais localidades, que está estabelecida entre os botos e os pescadores uma forma peculiar de comunicação paralinguística e analógica, composta por uma estrutura comunicativa básica num nível de sinais cinestésicos, que é mediadora da colaboração bilateral dos agentes humanos e mais-que-humanos nesta forma de pesca, transbordando, assim, os limites daquilo que entendemos por "domesticação". Tendo em mente esta agência bilateral, uma "torção" da categoria de "trabalho" se faz necessária. Propomos uma análise dos pressupostos relacionados às fronteiras da agência humana e mais-que-humana no mundo, associando a noção de "técnica" à "práxis" conforme a elaboração giannottiana do conceito de "esquema operatório". Apoiando-se tanto na literatura marxiana quanto na ecologia batesoniana da mente, este trabalho pretende apresentar uma analítica da socialidade multiespécie como estudo de "sistema complexo". |