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Abstract:
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Este trabalho analisa como o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC)
participou da construção de uma identidade catarinense hegemônica ao longo do século XX,
privilegiando narrativas de colonização europeia e apagando sujeitos históricos que
compunham o Oeste Catarinense antes de seu processo de ocupação dirigida. A pesquisa tem
como foco a subcoleção fotográfica intitulada “Santa Catarina”, formada por fotografias de
diversas cidades que compunham e compõem hoje o estado de Santa Catarina, dotada de
registros que performam dispositivos simbólicos que constroem memórias, legitimam
discursos e organizam visualmente o território catarinense. Ao examinar imagens que
retratam infraestrutura, lavoura, arquitetura doméstica, comércio, celebrações cívicas e
espaços institucionais, observa-se a formação de uma narrativa visual do progresso: o
imigrante europeu é convertido em agente fundador, enquanto indígenas, caboclos e
populações tradicionais permanecem ausentes. A análise semiótica das fotografias que
integram a subcoleção revela que estes registros operam como documentos históricos,
selecionando o que deve ser lembrado e relegando tensões e violências ao silêncio,
contribuindo para fixar sentidos desejados pelo projeto político-identitário estadual da época.
Articulando pesquisa bibliográfica, consulta em arquivo, leitura semiótica e análise
informacional a partir de fichas de catalogação, a investigação demonstra que o IHGSC não
apenas preserva imagens, mas atua como mediador simbólico que hierarquiza discursos e
define quais memórias são legitimadoras da identidade catarinense idealizada. A identidade
construída no acervo reforça a perspectiva de uma Santa Catarina “civilizada” pela imigração,
invisibilizando a multiplicidade étnica e histórica do Oeste e evidenciando os mecanismos
institucionais que moldaram a memória pública do estado. |