|
Abstract:
|
O trabalho investiga como a demonização histórica das mulheres curandeiras, benzedeiras e praticantes de saberes tradicionais se manifesta na vida de duas mulheres do município rural de Timbó Grande (SC), analisando a permanência de estigmas associados ao feminino e aos conhecimentos populares. A pesquisa identifica como essas representações influenciam suas trajetórias pessoais, relações sociais, autoestima e atuação comunitária, além de discutir a relevância desses saberes enquanto subsídios para o ensino de Ciências da Natureza na Educação do Campo. O estudo adota abordagem qualitativa e utiliza entrevistas semiestruturadas com uma benzedeira e uma mãe de santo, buscando compreender suas práticas, experiências de preconceito e formas de resistência. A análise dos relatos evidencia que a demonização do feminino permanece presente no cotidiano, especialmente quando essas práticas são associadas a crenças negativas ou a discursos religiosos excludentes. Os resultados revelam que as entrevistadas enfrentam restrições sociais e emocionais decorrentes desses estigmas, mas também demonstram força simbólica e comunitária ao preservarem conhecimentos ancestrais sobre cura, espiritualidade e uso de ervas medicinais. O estudo demonstra que esses saberes constituem importante forma de produção de conhecimento, historicamente marginalizada, porém fundamental para compreender as relações entre ciência, cultura e educação no campo. Conclui-se que reconhecer e valorizar tais práticas no ensino de Ciências contribui para uma formação mais crítica, inclusiva e sensível às realidades dos territórios rurais, fortalecendo a autonomia das mulheres e a diversidade de saberes presentes nas comunidades. |