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Abstract:
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A avicultura de corte brasileira se destaca mundialmente pela eficiência produtiva e
liderança nas exportações, exigindo um rigoroso controle sanitário. Neste contexto, a
artrite em frangos de corte, especialmente em aves do tipo griller, representa um
desafio significativo para a indústria e para o Serviço de Inspeção Federal (SIF),
sendo uma causa frequente de condenações e perdas econômicas. O presente
trabalho teve como objetivo realizar um levantamento epidemiológico da ocorrência
de artrite e seu impacto nas condenações de carcaças em um abatedouro frigorífico
sob inspeção federal no município de Montenegro/RS, responsável pelo abate diário
de 380 mil aves. A metodologia consistiu na análise de dados oficiais de condenação
referentes aos meses de agosto, setembro e outubro de 2025, correlacionando as
condenações parciais e totais com a patogenia descrita na literatura. Os resultados
revelaram que, de um total de 28,1 milhões de aves abatidas no período, a artrite foi
a principal causa de condenação na planta, responsável por 41,29% de todas as
perdas (parciais e totais), superando significativamente outras causas como lesões
de pele e contaminação. A análise demonstrou que o impacto econômico da
enfermidade é predominantemente associado à condenação parcial, resultando no
descarte massivo de 811.448 cortes nobres (pernas), enquanto a condenação total
por artrite representou apenas 1,14% dos casos. A discussão dos dados, à luz da
literatura científica, sugere que a alta incidência de artrite (crônica/localizada) e
septicemia (aguda/sistêmica) são manifestações de uma mesma pressão infecciosa,
provavelmente associada à bacteriemia por Staphylococcus aureus (Condronecrose
Bacteriana), possivelmente desencadeada por infecções virais primárias, como
variantes de Reovírus Aviário (ARV) ou Mycoplasma synoviae. Conclui-se que a
artrite é o principal gargalo sanitário da unidade frigorífica avaliada e que a mitigação
das perdas econômicas exige, além do controle no abate, uma revisão estratégica
dos protocolos de biosseguridade, manejo e, fundamentalmente, a atualização
vacinal das matrizes mediante monitoramento genômico dos patógenos circulantes. |