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Abstract:
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Introdução: As neoplasias malignas, ou cânceres, caracterizam-se por proliferação celular desordenada, invasão tecidual e disseminação. Esses processos envolvem alterações genéticas e do microambiente tumoral, além de evasão imune. Entre as complicações do câncer, os fenômenos tromboembólicos se destacam por seu impacto clínico, relacionados à ativação da coagulação e à disfunção endotelial. Compreender a relação entre terapias antineoplásicas e trombose é essencial para aprimorar o manejo e reduzir a morbimortalidade. Objetivo: Analisar a associação entre o uso de agentes antineoplásicos e a ocorrência de fenômenos tromboembólicos em adultos, identificando frequência, fatores associados e impacto clínico. Metodologia: Revisão integrativa realizada na base PubMed entre janeiro e junho de 2025, com artigos publicados de 2020 a 2025. Incluíram-se ensaios clínicos em adultos (19–64 anos) que relacionassem antineoplásicos a eventos tromboembólicos. Excluíram-se revisões, relatos de caso e textos incompletos. Os dados foram extraídos e organizados conforme tipo de medicamentos, número de eventos e limitações metodológicas. Resultados: Foram analisados 26 ensaios clínicos com diferentes agentes, como inibidores de checkpoint imunológico, tirosina quinase, imunomoduladores e terapias antiangiogênicas. A maioria indicou aumento da incidência de trombose associada ao uso desses medicamentos, especialmente aos que interferem na angiogênese. Observou-se heterogeneidade metodológica, ausência de grupos controle e, em alguns casos, necessidade de interrupção do tratamento por toxicidade. Discussão: As evidências confirmam relação consistente entre terapias antineoplásicas e complicações tromboembólicas, sobretudo com agentes antiangiogênicos e imunomoduladores. Mecanismos como dano endotelial e inflamação parecem contribuir, embora ainda pouco esclarecidos. Determinados fármacos, como o ruxolitinib, mostraram potencial efeito protetor. A falta de padronização limita comparações e reforça a necessidade de estudos multicêntricos e prospectivos. Conclusão: Fenômenos tromboembólicos são complicações frequentes em pacientes sob tratamento antineoplásico e exigem monitoramento rigoroso. A diversidade de medicamentos e mecanismos envolvidos evidencia a importância de estratégias personalizadas de prevenção. Apesar do reconhecimento da associação entre quimioterapia e trombose, persistem lacunas sobre sua fisiopatologia e prevenção, destacando a necessidade de novas pesquisas para aprimorar a segurança terapêutica. |