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Abstract:
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A torção testicular (TT) é uma emergência urológica grave com impacto controverso na fertilidade masculina. Este estudo objetiva revisar sistematicamente a literatura para avaliar se pacientes submetidos a orquidopexia ou orquiectomia após TT apresentam maior prevalência de infertilidade ou subfertilidade a longo prazo, visando esclarecer inconsistências e orientar a prática clínica. Realizou-se uma revisão sistemática conforme as diretrizes PRISMA, com protocolo registrado no PROSPERO, incluindo 15 estudos. A análise confirma o tempo de isquemia como fator preditor crítico para o salvamento testicular, com um limiar de 6 a 8 horas para danos irreversíveis. Os resultados demonstram um paradoxo entre o salvamento anatômico e a viabilidade funcional, com altas taxas de atrofia pós-orquidopexia atribuídas à lesão de isquemia-reperfusão. A função do testículo contralateral emerge como o principal determinante da fertilidade, sugerindo uma patologia bilateral subjacente. Embora os parâmetros seminais sejam frequentemente anormais, com disfunção hormonal seletiva indicada por FSH elevado, as taxas de paternidade a longo prazo aproximam-se da normalidade. Isso indica um estado de subfertilidade, caracterizado por uma redução da fecundabilidade e um tempo para a concepção prolongado, em vez de infertilidade absoluta. A revisão consolida que a TT impacta a eficiência reprodutiva, e a saúde intrínseca do sistema testicular é fundamental para o prognóstico. |