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Abstract:
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Este estudo avaliou o potencial da tecnologia de bioflocos (BFT) como fonte alimentar para o pepino-do-mar Holothuria grisea, visando sua aplicação em sistemas de aquicultura multitrófica integrada (IMTA). Quarenta e oito indivíduos foram distribuídos em 16 unidades experimentais (60 L) e submetidos a quatro tratamentos com diferentes concentrações de sólidos suspensos totais (SST): T1 (0–150 mg L⁻¹), T2 (200–350 mg L⁻¹), T3 (400–550 mg L⁻¹) e T4 (600–750 mg L⁻¹). Bioflocos maduros provenientes de um cultivo de Penaeus vannamei foram utilizados como fonte de matéria particulada. Durante 42 dias, foram avaliados o crescimento, a sobrevivência, a microbiota intestinal e as características das fezes. Não foram observadas diferenças significativas (p > 0,05) no comprimento ou peso corporal entre os tratamentos, indicando tolerância de H. grisea às diferentes concentrações de SST testadas. Contudo, a largura corporal apresentou redução significativa com o aumento da SST (p = 0,019). A sobrevivência foi de 100% em todos os grupos. As contagens de bactérias heterotróficas viáveis (meio TSA) e de Vibrio spp. (meio TCBS) foram significativamente maiores (p < 0,05) no tratamento com menor concentração de bioflocos (T1). O peso úmido e o peso seco das fezes foram significativamente maiores (p < 0,05) nos tratamentos T2, T3 e T4 em relação ao T1, evidenciando maior acúmulo de matéria particulada sob concentrações intermediárias e elevadas de bioflocos. Os resultados indicam que H. grisea pode ser integrada a sistemas BFT, atuando como detritívoro e reciclador de matéria orgânica. Embora o consumo de bioflocos não tenha promovido aumento significativo no crescimento somático no período experimental, esses achados reforçam o potencial da espécie para integração em sistemas multitróficos de aquicultura, contribuindo para a sustentabilidade e eficiência produtiva do cultivo intensivo. |