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Abstract:
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Esta pesquisa tem por objetivo evidenciar a violência presente na formação socioeconômica
brasileira, a partir da análise das relações sociais que regem a sociedade contemporânea:
capitalista, racial e patriarcal. Em especial, busca-se destacar a violência no modo de
produção capitalista e a relação que o Estado e a ideologia mantêm com a violência enquanto
instrumentos de dominação burguesa. Para isso, utilizou-se material bibliográfico
fundamentado na perspectiva da Teoria Social Crítica, em uma pesquisa de caráter básico,
exploratório e qualitativo. A partir do método materialista histórico-dialético, discute-se a
função social do fenômeno da violência no capitalismo, sua presença nas estruturas sociais
sobre as quais se ergueu a atual formação social brasileira, bem como o processo de
consolidação do modo de produção capitalista no país e o consequente estabelecimento das
relações sociais. Conclui-se que a sociedade brasileira, historicamente, é marcada pela
violência desde o período da colonização, e que a estrutura capitalista no Brasil se consolidou
com base na violência aberta contra a população negra e indígena para o uso compulsório da
força de trabalho, no trabalho reprodutivo das mulheres, na exploração dos recursos naturais,
na expropriação de terras e na superexploração da força de trabalho. Assim, a violência que
vivenciamos nessa determinação sócio-histórica é originária da estrutura econômico-política
do modo de produção capitalista, no qual a relação contraditória entre trabalho e capital é
intrínseca e engendra processos de exploração, opressão, dominação e alienação do homem
pelo homem. Constata-se, ainda, que o capitalismo necessita da violência sistemática contra a
classe trabalhadora — atravessada por determinações de raça/etnia e sexo/gênero — para
manter-se e reproduzir-se. Por isso, a população negra e feminina ocupa posições
historicamente depreciadas nessa estrutura social, determinadas e mantidas pela classe
dominante branca e masculina. |