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Abstract:
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O presente trabalho trata sobre os povos indígenas em contexto urbano, tendo como objetivo
geral analisar as relações do município com os povos indígenas e suas estratégias de
resistência em Florianópolis, residentes da Casa de Passagem e Ponto de Cultura Goj Tá Sá.
O interesse pelo tema surgiu da experiência de Estágio Obrigatório em Serviço Social
realizado no Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão, Terra, Trabalho e Resistência, durante o
ano de 2024. Como problema de pesquisa buscou-se compreender como ocorre o atendimento
da população indígena no âmbito das políticas sociais, no recorte da assistência social, saúde,
transporte e saneamento básico . Para as aproximações sucessivas e apreensão da realidade, a
pesquisa foi pautada na perspectiva crítica do materialismo histórico dialético a partir do
método em Marx, o qual permite compreender as múltiplas determinações que constituem a
realidade social e sua dinamicidade. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, de
natureza qualitativa. Para a coleta de dados, utilizaram-se as técnicas de pesquisa bibliográfica
e documental. No desenvolvimento do trabalho, trata-se sobre a relação entre capitalismo,
terra e povos originários de modo geral na formação sócio histórica do Brasil. Após, é
reconstruída a trajetória histórica sobre a presença indígena na Ilha de Santa Catarina em três
momentos: antes da invasão portuguesa, no período da colonização e a presença indígena no
contexto atual. Por fim, discorre-se sobre a luta indígena pela Casa de Passagem e Ponto de
Cultura Goj Tá Sá, relacionando-a com a relação com o Estado e o acesso às políticas sociais
municipais. Como resultado preliminar, sinaliza-se que a resistência indígena no contexto
urbano é uma expressão da questão social, enquanto resultado das violações e desigualdades
do sistema e, mesmo diante de um Estado que atua na lógica capitalista, transforma, tensiona
as estruturas burguesas e reafirma o direito originário à terra. |