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Abstract:
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O presente Trabalho de Conclusão de Curso teve como objetivo central
compreender a produção capitalista das desigualdades no meio urbano e na
distribuição dos impactos sofridos pelas pessoas historicamente segregadas, tendo
como foco a enchente de 2024 em Porto Alegre/RS. A escolha pelo tema partiu da
necessidade de compreender, para além das aparências imediatas, as
determinações estruturais que explicam por que determinados territórios e
populações foram mais afetados por esse evento extremo. Assim, o problema que
se buscou responder nesta pesquisa foi: qual a relação entre a reprodução do
capital com a produção do espaço urbano e dos desastres socioambientais a partir
das implicações desiguais da enchente de 2024 em Porto Alegre/RS? No movimento
de apreensão da realidade, a pesquisa foi pautada na perspectiva crítica do
materialismo histórico dialético, a partir do método de Marx, o qual possibilita
compreender as múltiplas determinações que constituem a realidade social e sua
dinamicidade. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e de natureza
qualitativa, desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico e análise
documental. O percurso teórico-metodológico iniciou pela compreensão da
particularidade da questão social no Brasil e sua vinculação à constituição do
capitalismo dependente brasileiro. Em seguida, abordou-se a construção da cidade
enquanto expressão da lógica de acumulação do capital, com destaque para o
processo de urbanização do país, marcado pela modernização conservadora e pela
segregação socioespacial. Posteriormente, analisou-se a trajetória da cidade de
Porto Alegre, com ênfase na reestruturação urbana orientada pela lógica neoliberal
nas últimas décadas. Por fim, a análise concentrou-se na produção capitalista da
enchente de 2024 e nos impactos desiguais impostos às populações historicamente
expropriadas e segregadas nos territórios urbanos. Como resultado preliminar,
sinaliza-se que os impactos da enchente de 2024 não podem ser compreendidos
como resultado apenas de fatores naturais ou climáticos, mas como expressão de
um projeto de cidade funcional à reprodução do capital, que reforça desigualdades
sociais, raciais e territoriais. |