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Abstract:
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Este trabalho analisa como o envelhecimento no Brasil é impactado pelas
determinações socioestruturais do capitalismo dependente, especialmente nas
dimensões de classe, raça e gênero, com ênfase na exclusão digital. O objetivo é
compreender de que maneira a lógica do capital transforma o envelhecimento em
experiência marcada pela negação de direitos, mercantilização da vida e
invisibilização social. A pesquisa foi desenvolvida com abordagem quanti-qualitativa,
utilizando revisão bibliográfica e, também a partir da vivência prática do autor no
CREAS/SEPREDI. São discutidas as barreiras enfrentadas por pessoas idosas no
acesso a direitos, como a precarização dos serviços públicos e os entraves impostos
pela digitalização dos atendimentos. O estudo mostra que a exclusão digital não é
fenômeno isolado, mas desdobramento das desigualdades estruturais, reforçando a
marginalização da velhice negra, pobre e feminina. A análise evidencia que as
políticas públicas, mesmo com avanços legais como o Estatuto da Pessoa Idosa e o
SUAS, seguem operando sob uma lógica focalizada e insuficiente, que limita a
efetivação dos direitos. A crítica à tecnologia enquanto instrumento de dominação,
permite identificar como a “inclusão digital” sem enfrentamento das desigualdades
tende a aprofundar as formas de exclusão. Por fim, problematiza-se o papel do
movimento social de idosos, suas limitações enquanto forma de representação e a
urgência de articulação com a luta de classes. Conclui-se que garantir um
envelhecimento digno demanda ruptura com as engrenagens da acumulação
capitalista e a construção de um projeto societário voltado à justiça social. |