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Abstract:
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O magnésio e as suas ligas vêm sendo cada vez mais estudados para aplicação em stents e pinos temporários na área da biomediciana, por causa das propriedades que ele possui, como biocompatibilidade e bioabsorção. Nos últimos anos tem se destacado a investigação de stents de ligas de magnésio para tratamento de doenças do sistema urinário. Entretanto, o magnésio é muito suscetível à corrosão, por causa do seu baixo potencial padrão de -2,37 V, e por isso necessita de proteção anticorrosiva. A tendência atual é o desenvolvimento de revestimentos biodegradáveis e sustentáveis, que não necessitem de solventes orgânicos e não contenham inibidores tóxicos. Nesse contexto, destacam-se os revestimentos anticorrosivos de polissacarídeos como a quitosana e a pectina. Assim, este trabalho estuda a utilização da pectina, um polissacarídeo biodegradável como revestimento anticorrosivo para a liga de Mg AZ31. O revestimento foi preparado com o método de dip-coating com uma solução de 2% de pectina, neutralizada com hidróxido de sódio 2 mol L-1, e reticulado com o cloreto de cálcio. O revestimento foi caracterizado por microscopia eletrônica de varredura (MEV) e espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR), enquanto sua eficácia anticorrosiva foi avaliada por espectroscopia de impedância eletroquímica e pelo teste de desprendimento de hidrogênio, ambos conduzidos em solução de urina simulada. A caracterização revelou que foi possível obter a formação de um filme de pectina reticulada não poroso, sobre a superfície do magnésio. Já os testes de impedância e liberação de hidrogênio indicaram um desempenho superior em comparação à liga com e sem pré-tratamento, atingindo impedâncias da ordem de 10¬6 Ω e volumes de hidrogênio de 1,5 mL após 168 h de exposição à urina simulada. Esses resultados demonstram o potencial da pectina para controlar a degradação de implantes biomédicos de magnésio aplicados ao sistema urinário. |