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Abstract:
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A crescente contaminação de ambientes marinhos por microplásticos representa um desafio significativo para a segurança da aquicultura, especialmente no cultivo de bivalves. Dada a relevância da Baía Sul de Florianópolis como centro produtor nacional de ostras, o estudo visou quantificar a presença de partículas plásticas em Magallana gigas e testar a eficácia do processo de afinação (depuração em ambiente natural) para mitigar a exposição humana esses contaminantes. A metodologia envolveu a análise de 48 ostras, utilizando digestão por KOH (10%), caracterização morfológica por estereomicroscopia, e identificação de seis polímeros por micro FTIR, aplicando os métodos de Lithner (2011) e Wakkaf (2020) para avaliação de risco e estimativa de ingestão. Foram identificadas 32 partículas plásticas, predominantemente fibras, nas quais a presença de Polimetilmetacrilato (PMMA) elevou a análise de risco à Categoria IV, conforme o método de Lithner (2011). A concentração inicial de partículas plásticas nos tecidos das ostras foi de 0,30 itens g ww⁻¹, mas o processo de afinação em 48 horas reduziu esta concentração para 0,21 itens g ww⁻¹. Com base nessas concentrações, a ingestão anual estimada pelo consumidor brasileiro diminui de 54 partículas (ostras não depuradas) para 41 partículas (após afinação). Entretanto, a elevação da concentração de partículas observada após 72 horas e 14 dias indica que a eficácia da afinação é de curto prazo, reforçando a urgência de aprimorar o saneamento e o monitoramento oficial da maricultura. |