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Abstract:
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O presente trabalho analisa a reconfiguração da economia brasileira no século XXI, focando na intensificação das relações comerciais com a China e na crescente especialização na produção e exportação de soja. Contextualiza-se a trajetória histórica do Brasil marcada pela dependência de produtos primários e investiga-se como a ascensão chinesa e o subsequente superciclo das commodities aprofundaram essa dinâmica, levantando a hipótese de um processo de reprimarização produtiva. O objetivo central é compreender como a especialização na soja in natura, destinada majoritariamente ao mercado chinês entre 2001 e 2024, reforça a dependência econômica, promove a desindustrialização e reedita a posição periférica do Brasil no sistema-mundo, mesmo gerando superávits comerciais. A pesquisa, de natureza qualitativa, utiliza revisão bibliográfica e análise documental, articulando a Teoria da Dependência e a Análise do Sistema-Mundo com modelos como a Doença Holandesa e dados secundários sobre comércio, indústria e impactos socioambientais. O primeiro capítulo estabelece o referencial teórico. O segundo contextualiza a ascensão chinesa e seu impacto na demanda por soja. O terceiro analisa empiricamente o caso brasileiro, detalhando a especialização, a concentração da pauta exportadora, a perda de densidade industrial e as consequências socioambientais. O quarto capítulo discute alternativas, explorando experiências internacionais e propondo políticas de agregação de valor, inovação e industrialização verde. Conclui-se que a especialização na soja, embora conjunturalmente benéfica para a balança comercial, consolida um modelo neoextrativista dependente, sendo necessária uma reorientação estratégica, via políticas públicas coordenadas, para a superação dessa condição. |