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Abstract:
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O fogo, um distúrbio comum em ecossistemas campestres, pode atuar como estímulo
germinativo, favorecendo a germinação de espécies com dormência fisiológica. Apesar de
plantas campestres apresentarem estruturas vegetativas que garantem a sobrevivência e a
regeneração após distúrbios, pouco se sabe sobre o papel do fogo na germinação de sementes
nesses ambientes. Tivemos como objetivo avaliar o efeito do fogo na quebra da dormência
fisiológica de espécies campestres em campos de altitude no sul do Brasil. Nossa hipótese é que
o calor quebra a dormência fisiológica das sementes, aumentando a velocidade e a taxa de
germinação, por se tratarem de espécies que fazem parte de um ecossistema que evoluiu na
presença de fogo. Ao mesmo tempo, esperamos que as espécies apresentem resistência aos
tratamentos de temperatura. A nossa área de estudo foi os campos de altitude do Parque
Nacional São Joaquim (SC), onde coletamos sementes de seis espécies campestres nativas.
Submetemos as sementes a quatro tratamentos em laboratório: 1) 50°C por 1 minuto; 2) 100°C
por 1 minuto; 3) luz; e 4) controle. Após os tratamentos, avaliamos a viabilidade das sementes
que não germinaram por meio do teste de tetrazólio. Duas espécies apresentaram dormência
fisiológica; entretanto, os tratamentos aplicados não foram suficientes para quebrar a
dormência. Ao mesmo tempo, a maioria das espécies apresentou tolerância ao calor, mantendo
porcentagens de germinação semelhantes às do tratamento controle. Essas respostas sugerem
possíveis estratégias adaptativas à recorrência do fogo, nas quais a velocidade de germinação e
a resistência ao calor podem representar vantagens competitivas importantes para o
recrutamento e estabelecimento em ecossistemas campestres. Nosso estudo apresenta
resultados novos e relevantes sobre a germinação de espécies campestres, contribuindo para o
avanço do conhecimento sobre esses ecossistemas e fornecendo base para planos de manejo
que considerem o papel do fogo em estratégias de restauração e conservação de campos nativos. |