|
Abstract:
|
O objetivo deste estudo foi investigar os fatores sociodemográficos, comportamentais e de
saúde associados à mudança e à manutenção do uso da polifarmácia em pessoas idosas de
Florianópolis. Trata-se de um estudo longitudinal realizado com dados das entrevistas
domiciliares do estudo de coorte EpiFloripa Idoso. Foram analisadas a manutenção e as
mudanças no padrão de polifarmácia ao longo da onda 3 (2017/19) e 5 (2023/24) do estudo. A
variável dependente foi a mudança ou manutenção no uso de polifarmácia, e as variáveis
preditoras incluíram características sociodemográficas, comportamentais e relativas às
condições de saúde dos idosos. Utilizou-se a análise de regressão logística multinomial.
Participaram 645 indivíduos no estudo, sendo a maioria do sexo feminino (66,9%). Na análise
multivariada, a maior chance de manter o uso da polifarmácia foi observada entre indivíduos
com 80 anos ou mais, com suspeita de depressão, e entre pessoas idosas pré-frágeis e frágeis.
Indivíduos com renda entre 1,1 e 10 salários mínimos apresentaram maior chance de iniciar o
uso de polifarmácia. A prática de ≥150 minutos/semana de atividade física associou-se à
menor chance de iniciar (OR=0,28; IC95%: 0,13–0,61) e manter (OR=0,47; IC95%:
0,23–0,98) o uso da polifarmácia. A manutenção do uso de polifarmácia foi mais frequente
entre pessoas idosas com idade avançada, resultado sugestivo de depressão em teste de
rastreio e algum grau de fragilidade, enquanto a prática de atividade física se mostrou fator
protetor. Em relação ao início do uso de polifarmácia, a atividade física também apresentou
efeito protetivo, ao passo que uma maior renda per capita esteve associada à maior chance de
iniciar esse uso. Esses achados reforçam a importância de estratégias voltadas à promoção da
saúde mental, funcionalidade e atividade física, contribuindo para a redução do uso de
polifarmácia e a promoção do envelhecimento saudável. |