|
Abstract:
|
Objetivo: Identificar e sintetizar na literatura científica as sequelas psicológicas
vivenciadas por socorristas não profissionais de saúde após a intervenção em uma
Parada Cardíaca Extra-Hospitalar (PCEH), bem como os fatores que influenciam
essas consequências. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura,
realizada a partir de uma busca sistemática em bases de dados científicas. Foram
selecionados estudos quantitativos e qualitativos que abordassem o impacto
psicológico, os fatores de influência e as experiências de socorristas não
profissionais de saúde. A análise seguiu uma abordagem temática para a síntese
dos dados. Resultados: A análise dos estudos revelou um amplo espectro de
sequelas psicológicas, que variam de reações agudas de estresse, como pânico e
confusão, a sintomas crônicos consistentes com o Transtorno de Estresse PósTraumático (TEPT), incluindo flashbacks, ansiedade e culpa. O impacto psicológico
é modulado por uma complexa interação de fatores, incluindo a relação com a vítima
(familiar vs. desconhecido), o desfecho do atendimento (sobrevivência vs. óbito), o
treinamento prévio do socorrista, características individuais de resiliência e,
crucialmente, a presença ou ausência de suporte pós-evento, como o debriefing. A
experiência do socorrista é uma jornada fenomenológica marcada pela discrepância
entre o treinamento e a realidade caótica da emergência. Conclusão: A intervenção
da população geral na PCEH é uma experiência psicologicamente exigente e
potencialmente traumática. Embora o socorrista seja um elo fundamental na cadeia
de sobrevivência, ele é também uma "segunda vítima" frequentemente
negligenciada. Conclui-se que há uma necessidade urgente de reformular os
programas de treinamento em Reanimação Cardiopulmonar (RCP) para incluir a
preparação psicológica e de implementar protocolos de suporte e debriefing
sistemáticos nos serviços de emergência médica para mitigar o ônus psicológico
sobre esses indivíduos. |