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Abstract:
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Entendo o cinema como ofício, me considero um operário do cinema.
Lembro-me bem da primeira vez em que encontrei o termo, foi lendo a biografia de
Fernanda Montenegro referindo-se à sua profissão como ofício do ator. É claro que
eu já conhecia o sentimento, faltava-me a palavra: ofício.
Eu entrei no Cinema UFSC com o desejo ardente de entregar-me a tantas
vidas quanto fossem possíveis criar, mesmo que em uma tela, e por fim em um
impulso shakespeariano materializar nessa tela os mesmos sonhos cuja matéria
somos feitos.E, é claro, não poderia ser diferente, fui abduzido pela fotografia. Que
amante dos mistérios do mundo não se encantaria pela mágica da câmara escura e
sua capacidade de gravar a luz em sua jornada, por um ou alguns instantes, e logo
revelar-se a pintura com a luz. A câmera tornou-se para mim, o que foi o gelo para
Aureliano, iniciava aí a minha jornada na busca de decifrar os aspectos mais
intrínsecos deste mistério-mágico-fotográfico. |