Evolução da mecânica respiratória, da sintomatologia e do estado funcional em pacientes pós-COVID-19: um estudo de coorte

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Evolução da mecânica respiratória, da sintomatologia e do estado funcional em pacientes pós-COVID-19: um estudo de coorte

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Title: Evolução da mecânica respiratória, da sintomatologia e do estado funcional em pacientes pós-COVID-19: um estudo de coorte
Author: Conceição, Thais Martins Albanaz da
Abstract: A infecção pelo coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) causou um impacto negativo na saúde pública mundial. A ação rápida e agressiva do vírus, especialmente no sistema respiratório, levou à hospitalização de milhares de pessoas, a necessidade de internação em unidades de terapia intensiva, suporte ventilatório invasivo e demais medidas clínicas necessárias para o tratamento da doença COVID-19. Como consequência é comum as sequelas respiratórias, funcionais e clínicas. Diversos estudos evidenciam a persistência de sintomas respiratórios e disfunções pulmonares, meses após a alta hospitalar, condição chamada de COVID longa. Nesse contexto, o acompanhamento de sobreviventes torna-se essencial para compreender as repercussões da doença a longo prazo. O sistema de oscilometria de impulso (IOS) é uma ferramenta sensível na detecção precoce de alterações nas pequenas vias aéreas. Este estudo teve como objetivo avaliar e comparar a evolução da mecânica respiratória, estado funcional e da persistência dos sintomas dos pacientes hospitalizados pela COVID-19 a curto (AV1) e longo (AV2) prazo após a alta hospitalar e verificar a influência dos parâmetros do IOS. O presente estudo são resultados relatados da linha de pesquisa ?Avaliação do impacto no aparelho respiratório a longo prazo no âmbito da COVID-19: um estudo de coorte?; prospectivo, observacional e longitudinal. Foram incluídos pacientes hospitalizados pela COVID-19 e que realizaram o IOS ao menos uma vez. Na primeira avaliação (AV1), em média três meses após a alta hospitalar, foram coletadas as variáveis demográficas, informações clínicas, investigado por meio de um relato retrospectivo a presença ou ausência de sintomas durante a fase aguda e a sua persistência até o momento da avaliação. Foram aplicados os questionários CAT (COPD Assessment Test) e mMRC (Modified Medical Research Council), além da avaliação das propriedades mecânicas do sistema respiratório pelo IOS, avaliação da força muscular periférica por meio da dinamometria de preensão palmar e os testes funcionais: teste de sentar e levantar de 30 segundos (TSL30s) e a Short Physical Performance Battery (SPPB). Os pacientes foram reavaliados, em média, após 12 meses (AV2). Os dados foram comparados por meio do teste McNemar, teste t Student pareado e teste de Wilcoxon quando apropriado. Foi utilizado o modelo de regressão simples para identificar os fatores influenciadores para o prejuízo do estado funcional e de saúde (CAT e mMRC). Foram realizadas análises separadamente em AV1 e AV2. Foram incluídos 72 pacientes em AV1, maioria do sexo masculino (54,2%), com média de idade 52,0 ± 11,9 anos. Em AV2, foram incluídos 63 pacientes, (55,6%) do sexo masculino com média de idade 51,3 ± 11,7 anos e apenas 45 pacientes realizaram o IOS nos dois momentos (AV1 e AV2) com média de idade de 57,8 ± 13,1 anos, a maioria do sexo masculino (57,8%). Os sintomas persistentes mais prevalentes foram fadiga (87,5%) em AV1 e dispneia (37,7%) na AV2. Em AV1, observou-se influência do X5%previsto nos escores do mMRC [ß = -0,25; (IC 95%: 0,48; -0,01)], indicando que maiores valores de X5%previsto influenciaram em menor percepção de dispneia. Além disso, foi identificada influência do X5 em valores absolutos sobre os escores do SPPB [ß = 0,27; (IC 95%: 0,04;0,50)], sugerindo que maiores valores de X5 absoluto influenciaram em um melhor desempenho físico. Na AV2, os parâmetros oscilométricos preditos demonstraram influência negativa sobre o desempenho funcional. Observou-se que maiores valores de Z5% predito (ß = -0,32; IC 95%: -0,57; -0,07), R5% predito (ß = -0,33; IC 95%: -0,57; -0,08), R20% predito (ß = -0,27; IC 95%: -0,52; -0,02), R5-R20% predito (ß = -0,34; IC 95%: -0,58; -0,09) e Fres% predito (ß = -0,35; IC 95%: -0,60; -0,10) foram preditores de pior desempenho no TSL30s. Em AV2 também observou-se que o parâmetro Fres esteve significativamente relacionado ao menor desempenho físico funcional, conforme avaliado pelo escore do SPPB. O aumento dos valores de Fres foi preditor de escores mais baixos no SPPB (ß = -0,29; IC 95%: -0,54; -0,05), indicando que a maior Fres esteve vinculada à pior performance funcional. Concluiu-se que disfunções nas pequenas vias aéreas podem persistir até 12 meses após a alta hospitalar, apesar da melhora parcial dos parâmetros funcionais. A elevada prevalência de sintomas respiratórios reforça a necessidade de estratégias de acompanhamento e reabilitação pulmonar em pacientes com COVID longa.Abstract: Infection by Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) has had a negative impact on global public health. The rapid and aggressive action of the virus, especially on the respiratory system, led to the hospitalization of thousands of people, the need for intensive care unit admission, invasive ventilatory support, and other clinical measures necessary for the treatment of COVID-19. As a consequence, respiratory, functional, and clinical sequelae are common. Several studies highlight the persistence of respiratory symptoms and pulmonary dysfunctions even months after hospital discharge, a condition called long COVID. In this context, the follow-up of survivors becomes essential to understand the long-term repercussions of the disease. The impulse oscillometry system (IOS) is a sensitive tool for the early detection of changes in the small airways. This study aimed to assess and compare the evolution of respiratory mechanics, functional status, and the persistence of symptoms in patients hospitalized due to COVID-19 in the short term (AV1) and long term (AV2) after hospital discharge and to verify the influence of IOS parameters. The present study reports results from the research line ?Assessment of the long-term impact on the respiratory system in the context of COVID-19: a cohort study?; prospective, observational, and longitudinal. Patients hospitalized due to COVID-19 who underwent IOS at least once were included. In AV1, on average three months after hospital discharge, demographic variables and clinical information were collected, and a retrospective report was used to investigate the presence or absence of symptoms during the acute phase and their persistence at the time of assessment. The CAT (COPD Assessment Test) and mMRC (Modified Medical Research Council) questionnaires were applied, in addition to the analysis of the mechanical properties of the respiratory system using IOS, assessment of peripheral muscle strength by handgrip dynamometry, and functional tests: 30-second sit-to-stand test (TSL30s) and the Short Physical Performance Battery (SPPB). Patients were reassessed, on average, after 12 months (AV2). Data were compared using the McNemar test, paired t-test, and Wilcoxon test when appropriate. A simple regression model was used to identify influencing factors for impaired functional status and health (CAT and mMRC). Analyses were conducted separately for AV1 and AV2. A total of 72 patients were included in AV1, mostly male (54.2%), with a mean age of 52.0 ± 11.9 years. In AV2, 63 patients were included (55.6% male), and only 45 patients underwent IOS at both time points, with a mean age of 57.8 ± 13.1 years, mostly male (57.8%). The most prevalent persistent symptoms were fatigue (87.5%) in AV1 and dyspnea (37.7%) in AV2. In AV1, an influence of predicted X5% on mMRC scores was observed [ß = 0.25; (95% CI: -0.48; -0.01)], indicating that higher values of predicted X5% were associated with lower perceived dyspnea. Additionally, an influence of absolute X5 values on SPPB scores was identified [ß = 0.27; (95% CI: 0.04; 0.50)], suggesting that higher absolute X5 values were associated with better physical performance. In AV2, predicted oscillometric parameters showed a negative influence on functional performance. It was observed that higher values of predicted Z5% (ß = -0.32; 95% CI: -0.57; -0.07), predicted R5% (ß = -0.33; 95% CI: -0.57; -0.08), predicted R20% (ß = 0.27; 95% CI: -0.52; -0.02), predicted R5-R20% (ß = -0.34; 95% CI: -0.58; -0.09), and predicted Fres% (ß = -0.35; 95% CI: -0.60; -0.10) were predictors of worse performance in the TSL30s. In AV2, it was also observed that the Fres (Hz) parameter was significantly related to lower physical functional performance, as assessed by the SPPB score. An increase in Fres values was a predictor of lower SPPB scores (ß = 0.29; 95% CI: -0.54; -0.05), indicating that a higher Fres was associated with worse functional performance. It was concluded that dysfunctions in the small airways may persist up to 12 months after hospital discharge, despite partial improvement in functional parameters. The high prevalence of respiratory symptoms reinforces the need for follow-up strategies and pulmonary rehabilitation in patients with long COVID.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Florianópolis, 2025.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/269614
Date: 2025


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