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Abstract:
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A obesidade é considerada uma pandemia em expansão, cuja prevalência mundial continua aumentando. Evidências científicas têm sustentado sua associação com diversas condições neuropsiquiátricas, como depressão, ansiedade, alterações cognitivas e sensibilização central. Entretanto, ainda não foram publicados estudos que relacionem múltiplas exposições ambientais, de estilo de vida e de saúde à obesidade e, consequentemente, ao impacto sobre a saúde mental. Nesse contexto, destaca-se o conceito de expossoma, definido como a medida cumulativa de influências ambientais e respostas biológicas ao longo da vida, incluindo dieta, comportamento e processos endógenos. O expossoma vem ganhando destaque em estudos populacionais de larga escala, especialmente em países da União Europeia e nos Estados Unidos. Contudo, tais pesquisas concentram-se em populações do Hemisfério Norte, o que difere substancialmente do perfil do Hemisfério Sul. Assim, a população brasileira representa um modelo único de investigação devido à sua miscigenação e diversidade cultural e social. O presente estudo tem como objetivo verificar a associação entre múltiplas exposições de estilo de vida, ambientais e de saúde com a presença de obesidade em adultos, utilizando a estrutura do expossoma, além de analisar as relações diretas e indiretas com desfechos de saúde mental, como ansiedade, depressão, cognição e sensibilização central. Trata-se de um estudo epidemiológico transversal de base populacional e domiciliar, conduzido em Florianópolis, Santa Catarina, com amostra de 1000 adultos e idosos, sendo 40% convidados a fornecer amostras biológicas. A coleta será realizada por meio de questionários eletrônicos aplicados em entrevistas domiciliares, exames clínicos e testes complementares. Os indicadores serão organizados em determinantes (expossoma externo), mediadores (expossoma interno) e desfechos em saúde mental, considerando fatores sociodemográficos, dietéticos, ambientais, comportamentais, biomarcadores e exames de imagem e neurofisiologia. Espera-se identificar padrões moleculares associados à obesidade e saúde mental, contribuindo para a compreensão da relação entre doenças crônicas não transmissíveis e desfechos neuropsiquiátricos. Como resultados adicionais, prevê-se a consolidação de grupos de pesquisa em Neurociência Nutricional e a formação de recursos humanos qualificados. |