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Abstract:
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A sociedade atual caminha para um futuro circular, que compreende a recuperação e reutilização de recursos. Neste contexto, o Grupo de Estudos em Recuperação de Recursos em Sistemas de Saneamento (RReSSa) pesquisa estratégias para manter recursos de subprodutos do saneamento (fezes, urina, lodo de esgoto, águas residuárias) em uso pelo maior tempo possível. Dentre os temas estudados estão os biofertilizantes a partir da urina humana, que geram preocupações devido aos micro-organismos patogênicos, hormônios e fármacos naturalmente presentes. O presente trabalho visa avaliar a precipitação da estruvita como estratégia para recuperação de fósforo da urina humana, com foco no comportamento de antibióticos e neuroativos durante o processo produtivo do fertilizante e nos efeitos da sua aplicação na saúde do solo. Inicialmente, foi realizada a precipitação da estruvita (biofertilizante) contaminada com os fármacos de interesse (antibióticos e neuroativos). O processo obteve uma boa taxa de recuperação de fósforo ortofosfato, que variou entre 64,8% e 86,3%, com valor médio de 73,2%, sugerindo que a precipitação da estruvita é eficiente para a recuperação de nutrientes da urina. Num segundo momento, foi realizado o cultivo de alfaces (Lactuca sativa) para avaliar os efeitos do biofertilizante contaminado no solo. Foram instalados 21 vasos com 1 muda de planta cada, onde foram observados os efeitos dos contaminantes em concentrações de 1, 10 e 100 mg.kg-1 durante 63 dias. Semanalmente, foram coletadas amostras de solo para acompanhar as atividades enzimáticas e microbianas. Para determinar o crescimento microbiano, utilizaram-se bactérias heterotróficas totais e bactérias fixadoras de nitrogênio, semeadas em placas de Luria Bertani (LB) e ágar Mannitol, respectivamente. O crescimento não apresentou diferenças estatisticamente significativas em relação ao controle de estruvita pura, indicando que os fármacos não afetaram o crescimento das bactérias do solo. Foram realizados também testes de carbono da biomassa microbiana e respiração basal do solo, que demonstraram um estresse inicial identificado no quociente metabólico. Este foi confirmado pela atividade das hidrolases do diacetato de fluoresceína (FDA-H) e desidrogenase (DHA), devido à inibição da atividade pouco depois da aplicação da estruvita contaminada, com reduções significativas no dia 7. Por fim, a precipitação da estruvita se mostrou um processo pouco afetado pela presença de contaminantes, o que nos mostra maior segurança quanto ao fertilizante produzido. Nas concentrações testadas, os contaminantes afetaram a saúde do solo no início do experimento, porém a comunidade microbiana evidenciou sua capacidade de recuperar a funcionalidade após um estresse químico. |