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Abstract:
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Durante a pandemia de COVID-19, famílias em situação de vulnerabilidade social enfrentaram desafios que extrapolaram a esfera sanitária, afetando diretamente suas dinâmicas cotidianas, sendo intensificados por desigualdades estruturais. Nesse contexto, redes sociais significativas assumiram papel essencial no suporte a pais ou responsáveis por crianças e adolescentes. Este estudo teve como objetivo analisar as características estruturais e funcionais dessas redes, considerando seus contextos de vida em comunidades vulneráveis de Florianópolis-SC. A pesquisa está vinculada a um projeto de mestrado em Psicologia do Laboratório de Psicologia da Saúde, Família e Comunidade (LABSFAC/UFSC) e foi desenvolvida entre setembro de 2024 e agosto de 2025. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, transversal e retrospectivo. Participaram 11 adultos responsáveis por crianças e adolescentes, recrutados por meio de projetos sociais e a técnica snowball. A coleta de dados ocorreu de forma presencial e online, utilizando dois instrumentos: o Questionário Sociodemográfico e o Mapa de Rede. A análise dos dados seguiu o modelo de Sluzki, contemplando aspectos estruturais (tamanho, composição, dispersão, homogeneidade/heterogeneidade) das redes e funcionais (apoio emocional, companhia social, ajuda material, entre outros) dos vínculos das redes. Os resultados indicaram que para os participantes, durante a pandemia de COVID-19, ocorreu a predominância de redes de tamanho médio, com maior frequência de vínculos com pessoas do gênero feminino e familiares. As funções mais frequentes foram ajuda material e de serviços, apoio emocional e companhia social. As redes da comunidade também se destacaram como fontes de suporte, especialmente diante da ausência ou demora na resposta do Estado para as necessidades de apoio dos participantes. Observou-se o protagonismo das mulheres no cuidado, evidenciando sobrecarga e desigualdades de gênero. A função de acesso a novos contatos foi pouco mencionada, refletindo os efeitos do isolamento social sobre a expansão das redes no período pandêmico. Para as pessoas que já viviam em contextos de vulnerabilidade social, a prevalência de relações íntimas reforçou o papel que as redes sociais significativas mais próximas tiveram como fontes de proteção, mas também indicou algumas fragilidades na ampliação de contatos e oportunidades em contextos de crise sanitária. No geral, o estudo demonstrou a importância das redes sociais significativas como fator protetivo e de resiliência para as famílias em situação de vulnerabilidade. A compreensão da estrutura e funcionamento das redes de apoio de pais ou cuidadores de crianças e adolescentes que vivem em contextos vulneráveis, especialmente em momentos de crise e estresse, pode oferecer subsídios para a integração de diferentes setores, como saúde, educação e assistência social, na elaboração de respostas mais consistentes de amparo às famílias. |