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Abstract:
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As ligas de magnésio apresentam relevância significativa em diversas áreas de desenvolvimento tecnológico, incluindo engenharia aeroespacial e biomédica, notadamente na fabricação de implantes. Essa versatilidade é atribuída, sobretudo, à sua elevada resistência mecânica, alta capacidade de amortecimento e baixa densidade. Além disso, o magnésio possui a particularidade de ser biodegradável por microrganismos, característica que o torna promissor no contexto da química sustentável. Entretanto, seu baixo potencial padrão de redução torna essas ligas extremamente suscetíveis à corrosão, o que impõe a necessidade do emprego de estratégias eficazes de proteção, como o uso de revestimentos protetores, para viabilizar sua aplicação comercial.
Convencionalmente, muitos desses revestimentos incorporam compostos tóxicos, como sais de cromo ou materiais insolúveis em água, cuja manipulação exige solventes orgânicos, impactando negativamente o meio ambiente. Nesse contexto, revestimentos naturais, hidrossolúveis e biodegradáveis surgem como alternativas ambientalmente sustentáveis para a mitigação da corrosão em ligas de magnésio.
Polissacarídeos, amplamente disponíveis na natureza, destacam-se como candidatos promissores a revestimentos anticorrosivos, especialmente quando submetidos a modificações estruturais. Apesar da solubilidade em água favorecer a formulação de sistemas sustentáveis, essa propriedade também pode comprometer a estabilidade do revestimento na superfície metálica. Tal limitação pode ser contornada por meio da incorporação de agentes reticulantes, que promovem a redução da solubilidade do polímero após a aplicação, ou pela escolha de polissacarídeos cuja solubilidade seja dependente do pH. A pectina e a quitosana são exemplos de polissacarídeos naturais com bom desempenho como revestimentos protetores para ligas de magnésio, como a AZ31 (SANTOS et al., 2024) (FARES; MAAYTA; AL-QUDAH, 2012).
Estudos envolvendo hidrogéis híbridos de pectina e quitosana demonstraram que esses materiais são capazes de regenerar sua integridade estrutural após sofrerem danos mecânicos, fenômeno conhecido como self-healing, resultante da interação eletrostática entre cargas parciais opostas presentes nas cadeias poliméricas. Revestimentos anticorrosivos que apresentem essa capacidade autorregenerativa podem oferecer maior durabilidade e desempenho a longo prazo. Essa potencialidade será objeto de investigação no presente projeto de pesquisa. |