A homoparentalidade constitui uma configuração familiar cada vez mais presente na sociedade contemporânea, mas que ainda enfrenta estigmas associados a preconceitos de base heteronormativa. Pesquisas apontam que a parentalidade exerce papel fundamental no desenvolvimento infantil, funcionando tanto como fator de proteção quanto de risco, e que isso independe da orientação sexual dos cuidadores. A parentalidade positiva marcada por afeto e corregulação está relacionada ao ajustamento socioemocional e ao bem-estar da criança. Por outro lado, dificuldades de manejo, inconsistência ou ausência de suporte se associam a comportamentos desafiadores e problemas emocionais nas crianças. Este estudo teve como objetivo investigar a relação entre a parentalidade de casais homoafetivos biparentais e o comportamento infantil. Participaram 21 mães em relacionamentos homoafetivos, com filhos entre 3 e 11 anos, que responderam ao Inventário Multidimensional de Parentalidade (IMP) e ao Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ). A coleta foi realizada de forma online e os dados foram analisados por estatísticas descritivas e correlação de Spearman. Os resultados revelaram correlações significativas entre Confirmação Afetuosa e dimensões de Cuidado Básico, Co-regulação e Estimulação, confirmando achados da literatura sobre a importância de práticas parentais que validam sentimentos, fornecem suporte emocional e estimulam cognitivamente a criança. Também foi observada correlação significativa entre Hiperatividade e Sintomas Emocionais, além de associação quase significativa com Problemas de Relacionamento com Pares, em consonância com estudos que apontam sobreposição entre hiperatividade, desregulação emocional e dificuldades sociais. Contudo, algumas correlações entre Hiperatividade e práticas parentais positivas divergiram do esperado, sugerindo a influência do tamanho amostral reduzido ou de particularidades da população estudada. De modo geral, os achados reforçam que o desenvolvimento infantil é mais fortemente influenciado pela qualidade das práticas parentais do que pela configuração familiar em si. Conclui-se que famílias homoafetivas oferecem contextos de cuidado tão saudáveis quanto famílias heteroafetivas, e que práticas parentais responsivas, consistentes e afetivas devem ser valorizadas como fatores de proteção essenciais para o ajustamento emocional, comportamental e social das crianças.
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Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica
Universidade Federal de Santa Catarina
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de Psicologia