Fonologia das línguas do Golfo da Guiné: Herança das línguas africanas: o caso da entoação e partícula ‘a’ na língua do Príncipe

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Fonologia das línguas do Golfo da Guiné: Herança das línguas africanas: o caso da entoação e partícula ‘a’ na língua do Príncipe

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Title: Fonologia das línguas do Golfo da Guiné: Herança das línguas africanas: o caso da entoação e partícula ‘a’ na língua do Príncipe
Author: Weege, Camila
Abstract: Essa pesquisa faz parte do projeto “Fonologia das línguas do Golfo da Guiné”, coordenado pela professora Dra. Ana Lívia Agostinho. O Lung’Ie (LI) é uma língua crioula lexificada pelo português falada na Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe. Sua formação remonta ao período de colonização portuguesa, sendo um dos ramos do Protocrioulo do Golfo da Guiné (PGG), originado do contato entre o português e línguas do Delta do Níger e da região do Congo-Angola, faladas por povos escravizados levados às ilhas. De acordo com pesquisas anteriores (Ferraz, 1979; Bandeira, 2017; Agostinho, 2019), além do LI existem outras três línguas crioulas derivadas do PGG: o santome (ou forro), o angolar (AOA), faladas em São Tomé e Príncipe, e o fa d’Ambô (FA), falado em Ano Bom, na Guiné Equatorial. Como mostra Agostinho, Araújo e Santos (2019), com exceção do AOA, essas línguas apresentam uma partícula interrogativa final em perguntas polares, representada fonologicamente por /a/ e /ã/, traço também achado em línguas do grupo edo, da região do Delta do Níger. O presente trabalho tem como objetivo analisar sentenças interrogativas em LI, com foco nas interrogativas polares, a fim de compreender suas características fonológicas suprassegmentais, especificamente a entoação destas sentenças. Os dados apontam que, nas interrogativas com partícula, o padrão entoacional é decrescente, semelhante ao das declarativas. Já nas interrogativas sem partícula, a entoação é crescente, o que pode estar associado à influência do português, língua oficial e de prestígio, que utiliza a entoação ascendente como marca interrogativa. A hipótese é que, no contato entre LI e português, tenha surgido uma variação no modo de marcar a interrogação, sendo a variante com partícula associada ao traço das línguas africanas ou e a variante sem partícula, marcando a interrogação pela entoação uma inovação influenciada pelo português. Essa pesquisa dialoga com estudos sobre o fa d’Ambô (Agostinho; Araujo; Santos, 2019), nos quais os autores analisaram o mesmo fenômeno na língua de Ano Bom. Para isso, este trabalho se baseia em um corpus de áudios de sentenças declarativas e interrogativas em LI gravadas em 2014 pela coordenadora do projeto, analisadas acusticamente no software Praat. Os resultados, obtidos a partir de 249 sentenças, cada uma produzida em três versões: declarativa, interrogativa com partícula e interrogativa sem partícula,, mostram que o uso da partícula está ligado a um padrão entoacional decrescente, enquanto sua ausência gera entoação crescente. O estudo contribui para a descrição das características suprassegmentais dessa língua, lançando luz sobre processos de formação histórica das línguas crioulas e sobre os efeitos do contato linguístico, ao mesmo tempo em que evidencia a preservação de traços africanos na gramática do LI.
Description: Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Comunicação e Expressão (CCE). Departamento de Língua e Literaturas Vernáculas (DLLV).
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/268702
Date: 2025-09-05


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