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Este estudo teve como objetivo avaliar os riscos climáticos passados relacionados à ocorrência de veranicos (secas agrícolas) e ondas de calor e sua influência na produtividade das culturas de milho e soja em microrregiões dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Foram utilizados dados diários de temperatura, precipitação e umidade relativa do ar provenientes de cinco estações meteorológicas do INMET, abrangendo o período de 2003 a 2022, além de dados anuais de produtividade obtidos do IBGE. A partir desses dados, foram desenvolvidos dois índices: o Índice de Seca Agrícola (ISA), baseado na ocorrência de sete ou mais dias consecutivos com déficit hídrico (P–ETo < 1 mm), e o Índice de Onda de Calor (IOC), determinado por séries de três ou mais dias com temperatura máxima acima do percentil 0,90 para a data.
Análises de correlação e regressão linear foram aplicadas para mensurar a influência desses eventos extremos na produtividade agrícola. Os resultados revelaram correlações estatisticamente significativas entre os índices ISA e IOC e as produtividades anuais, com perdas variando de 247 a 2.584 kg/ha para a soja e de 247 a 4.548 kg/ha para o milho, a depender da intensidade dos eventos e das características locais. De modo geral, os eventos veranicos apresentaram maior impacto sobre o milho, enquanto as ondas de calor afetaram mais a produtividade da soja.
A comparação com anomalias médias de precipitação e temperatura demonstrou que os índices ISA e IOC possuem maior capacidade explicativa, reforçando a importância de considerar eventos extremos e não apenas médias climáticas na modelagem da produtividade agrícola. Os achados deste trabalho fornecem subsídios relevantes para o aprimoramento de estratégias de manejo adaptativo, zoneamento agrícola e planejamento produtivo frente às mudanças climáticas em curso e projetadas. |
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