|
Abstract:
|
Em 2024, 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, 51 delas em Santa Catarina (Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2025). É o índice mais alto desde que a legislação brasileira passou a tipificar esse crime, um marco registrado pela Lei nº 13.104/2015. Legalmente, o feminicídio é o atentado contra a vida de uma mulher “por razões da condição de sexo feminino”. Em consonância, teóricas dos estudos de gênero o definem como o “extremo de um continuum de terror anti-feminismo” (Caputi; Russell, 1992, p. 15). Como problema público, é relatado e registrado na instituição informacional mais tradicional da sociedade: o jornalismo. Ao considerar que o jornalismo reproduz valores sociais e, portanto, as estruturas desiguais de gênero presentes no cotidiano brasileiro, é vital analisar de que maneira os feminicídios – e as histórias dessas mulheres – têm sido construídos na mídia. É esse o ponto de partida do projeto “Feminicídios na cobertura jornalística: permanências e mudanças em padrões de tratamento”, que dá sequência à pesquisa “Os feminicídios em Santa Catarina e a cobertura jornalística: mapeamento de um problema público”. Vinculado ao grupo ransverso - Estudos em Jornalismo, Interesse Público e Crítica, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJor/UFSC), o projeto propõe, neste ciclo, expandir a análise da coberura de mídias tanto comerciais quanto independentes (com perspectiva feminista), assim como mídias de abarngência nacional e estudos comparativos internacionais. Como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) participei dos ciclos de debates do Transverso e contribuí ativamente na divulgação científica das ações do grupo nas redes sociais e no site, incluindo a adaptação de materiais educativo. Auxiliei na atualização da Sala de Imprensa, expandindo a lista de fontes especializadas em gênero para jornalistas de Santa Catarina, e conduzi um levantamento bibliográfico de artigos e papers sobre feminicídio em anais de congressos e periódicos da área da Comunicação. Também realizei a coleta e sistematização de material empírico de portais da mídia com perspectiva feminista (Revista AzMina, Portal Catarinas e Gênero e Número), além de auxiliar na análise de parte desse corpus para um estudo comparativo Brasil-França. Preliminarmente, observamos que os veículos independentes adotam um tratamento diferenciado e evitam o sensacionalismo, usando o termo “feminicídio” com profundidade e empregando uma pluralidade de fontes para ilustrar críticas à morosidade judicial e à ausência de políticas públicas. Um jornalismo mais compreensivo, combativo e sensível ajuda a aprofundar a discussão do problema e a fortalecer o debate sobre o papel e a responsabilidade do Estado na prevenção e enfrentamento do da violência de gênero. |