Apesar da Lei do Feminicídio (nº 13.104 de 2015) reconhecer um problema historicamente negligenciado, estruturas machistas fazem com que mulheres continuem morrendo pelo fato de serem mulheres (Caputi e Russell, 1992). Em um contexto de extrema violência de gênero - quando pelo menos quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia em 2024 (Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2025) -, produções jornalísticas ainda têm corroborado para o reforço de estereótipos que culpabilizam a vítima e tratam a violência como algo episódico (Prado; Sanematsu, 2017; Silva, 2024). Com objetivo de auxiliar na pesquisa sobre permanências ou mudanças no tratamento jornalístico sobre o feminicídio e de qualificar a maneira como a mídia aborda o assunto, atuei como bolsista de iniciação científica, entre 2024 e 2025, no projeto de pesquisa “Feminicídios na cobertura jornalística: permanências e mudanças em padrões de tratamentos”, coordenado pela professora Maria Terezinha da Silva e desenvolvido no âmbito do Grupo de Pesquisa Transverso - Estudos em Jornalismo, Interesse Público e Crítica, da UFSC. Realizei a coleta e sistematização de dados referentes a notícias sobre feminicídios publicadas no portal de notícias G1 no ano de 2023. Também realizei um levantamento bibliográfico de teses e dissertações sobre o tema; contribuí para atualização de lista de fontes especializadas em violência de gênero para disponibilizar à imprensa; auxiliei na divulgação científica de ações do Transverso e participei das reuniões do grupo de pesquisa. Na análise preliminar e exploratória do material empírico coletado no portal G1, observamos que a maioria das produções jornalísticas descreve casos factuais de violência contra mulher. Poucas matérias catalogadas trazem reflexões sobre o contexto do problema. Observamos também que persiste um tratamento sensacionalista da violência, a culpabilização da vítima, a predominância de discursos policialescos, a prisão do agressor compreendida como solução e que determinadas mortes ganham mais repercussão do que outras devido ao perfil da vítima ou da brutalidade do crime. Isso sinaliza que, mesmo após dez anos da Lei do Feminicídio, discursos jornalísticos continuam reforçando estereótipos, normalizando ou pouco discutindo as violências.
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Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica.
Universidade Federal de Santa Catarina.
Centro de Comunicação e Expressão
Departamento de Jornalismo