Olhares que assombram: um panorama histórico sobre a representação feminina no cinema de horror brasileiro

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Olhares que assombram: um panorama histórico sobre a representação feminina no cinema de horror brasileiro

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Title: Olhares que assombram: um panorama histórico sobre a representação feminina no cinema de horror brasileiro
Author: Freitas, Maisa Borges de
Abstract: Este trabalho, desenvolvido no âmbito do Programa Voluntário de Iniciação Científica iniciado em março de 2025, sob orientação da professora Andréa C. Scansani, integra as atividades do grupo de pesquisa “Cinemas latino-americanos e caribenhos: conversas pluridimensionais” (CLAC/UFSC), certificado pelo CNPq. O estudo tem como objetivo investigar o cinema de horror feminino no Brasil, considerando seus contextos históricos e sociais, com um enfoque específico na trajetória temporal da participação feminina no gênero. Inicialmente, observamos que, nos anos 1960, José Mojica Marins, considerado o pai do horror brasileiro, dominava a cena com filmes como À meia-noite levarei sua alma e Esta noite encarnarei no teu cadáver, nos quais a presença feminina era limitada, tanto nas atuações quanto nas equipes técnicas, refletindo a hegemonia masculina no cinema nacional da época. Com a efervescência da Boca do Lixo em São Paulo, o horror ganhou popularidade através de produções que, embora abordassem indiretamente questões de gênero, por vezes exploravam a violência e a sexualidade feminina de forma explícita, como em Amadas e violentadas e Excitação, de Jean Garret. Em contraponto, Walter Hugo Khouri se dedicava a uma abordagem psicológica, aprofundando-se na complexidade da psique feminina. Apesar do aumento de mulheres atuando como assistentes nas equipes técnicas durante as décadas de 1970 e 1980, elas raramente alcançavam posições de liderança. Com o fim da Embrafilme e a crise do cinema nacional nos anos 1990, o horror brasileiro praticamente desapareceu, ressurgindo apenas como subgênero, mantendo a participação feminina mais expressiva na atuação do que na direção. A partir dos anos 2000, contudo, impulsionado pela estética do vídeo e por uma nova geração de realizadores, o horror viveu um processo de renovação. Diretoras como Juliana Rojas e Anita Rocha da Silveira passaram a ocupar espaços de destaque, ampliando as possibilidades críticas do gênero. A pesquisa tem como principal referência o trabalho em cinema de horror da pesquisadora Laura Cánepa, em artigos como “Medo de quê? Uma história do horror nos filmes brasileiros”, de 2008, e “Filmes brasileiros de mulheres paranoicas: As segundas mulheres na trilha do horror brasileiro”. Dialoga também com pesquisas como “Mulheres e direção cinematográfica na América Latina: uma visão panorâmica a partir das pioneiras”, de Marina Tedesco. A metodologia utilizada combina análise fílmica e um levantamento bibliográfico selecionado. Em síntese, a pesquisa demonstra que a mulher no cinema de horror brasileiro deixou de estar em uma posição periférica, marcada pela objetificação e pela invisibilidade técnica, para um lugar central na criação autoral. Ainda que a escassez de dados sistematizados represente um desafio, é inegável a transformação do horror em um meio privilegiado para que diretoras e roteiristas expressem, hoje, suas próprias visões sobre questões sociais e existenciais.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/268498
Date: 2025-09-08


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