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A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) é definida pela presença de disfunção diastólica do ventrículo esquerdo associada à fração de ejeção preservada. É uma síndrome heterogênea e caracteriza-se pela presença de comorbidades como obesidade, hipertensão arterial e diabetes mellitus. Até o momento, as terapias disponíveis para a ICFEp ainda são limitadas, em parte devido às limitações de modelos pré-clínicos dessa doença. A hiperativação do sistema nervoso simpático foi demonstrada na ICFEp pela elevação de níveis plasmáticos coronarianos de norepinefrina e exacerbação da resposta de quimiorreceptores. No entanto, os dados da literatura sobre o tono autonômico cardíaco na ICFEp ainda são escassos, surgindo a necessidade da caracterização da disfunção autonômica nessa doença, principalmente em modelos animais, o que permitirá uma compreensão mais abrangente dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na ICFEp. O modelo animal de ICFEp, induzido por meio da administração concomitante de dieta hiperlipíca e Nω-nitro-L-arginina metil éster (L-NAME), foi padronizado recentemente em nosso laboratório e reproduz grande parte das características observadas em indivíduos com essa patologia. Assim, a hipótese do presente estudo foi de que ratos submetidos à combinação de dieta hiperlipídica + L-NAME apresentarão um aumento do tono simpático e redução do tono parassimpático cardíaco. Portanto, o objetivo desse estudo foi caracterizar a disfunção autonômica na ICFEp em ratos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal (CEUA/UFSC nº 8460220224). Foram utilizados ratos Wistar e a indução da ICFEp foi realizada pela administração de dieta hiperlípidica (ração balanceada padrão, amendoim torrado, chocolate ao leite e biscoito de maisena, na proporção de 3:2:2:1) por 5 semanas + L- NAME (20mg/kg/dia) por 4 semanas. Ratos controles receberam dieta padrão. Em comparação aos ratos controles, ratos submetidos ao tratamento com L-NAME e dieta hiperlipídica apresentaram aumento do peso corporal, gordura retroperitonial, gordura epididimal e maior glicemia. Observou-se, também, que ratos expostos ao tratamento com L-NAME e dieta hiperlipídica apresentaram menor tolerância ao exercício físico. Além disso, os ratos que receberam o tratamento exibiram aumento de fibrose e hipertrofia cardíaca, e aumento do peso pulmonar. Ratos tratados com L-NAME e dieta hiperlipídica também exibiram aumento da pressão arterial sistólica, sem alteração da frequência cardíaca basal. O resultado das análises do tono autonômico cardíaco, avaliado por meio do uso de bloqueadores autonômicos, não demonstrou diferenças no tono simpático e vagal. Desse modo, conclui-se que a combinação dieta hiperlipídica e L-NAME reproduz, em ratos, grande parte das características clínicas observadas na ICFEp. No entanto, neste modelo de ICFEp não houve alteração do tono autonômico cardíaco, apesar das disfunções metabólicas e cardiovasculares observadas. |
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