O papel da agmatina contra o dano ferroptótico em células HEK-293 e Caenorhabditis elegans
Author:
Samara, Caverzan
Abstract:
A ferroptose é um tipo de morte celular programada caracterizada por intensa
peroxidação lipídica, alteração na homeostase do ferro e aumento das espécies
reativas de oxigênio (EROs). Níveis elevados de ferro livre no organismo podem gerar
EROs, tornando o ambiente tóxico para células ao ponto de ocorrer uma morte
ferroptótica (tipo de morte celular regulada e dependente de ferro). O sistema
antioxidante é fundamental para o controle das EROs. O Nrf2 é um fator de transcrição
importante na regulação de expressão de genes envolvidos na defesa antioxidante e
na homeostase de ferro, incluindo a ferritina. A agmatina, um peptídeo endógeno e
com vários efeitos benéficos já reportados, surge como um possível modulador da
ferroptose, devido a sua capacidade de modular situações de intenso estresse
oxidativo e ativação de Nrf2. O objetivo geral deste trabalho é investigar o papel das
ferritinas (cadeia leve e pesada) em condições ferroptóticas, além do seu possível
envolvimento no efeito protetor da agmatina, contra indutores de ferroptose como o
RSL3 (em HEK-293) e FAC (em C. elegans). Para isso, foi realizado uma curva de
letalidade em cepas de C. elegans nocaute para FHT1 e FTHL em modelo de iron
overload induzido por FAC e teste de viabilidade celular por MTT utilizando células
HEK-293 transfectadas com siRNA para a ferritina e tratadas com agmatina,
ferrostatina-1 e RSL3. Para os dois experimentos, a comparação entre os grupos foi
realizada através da análise de variância ANOVA de uma e três vias, seguidas do
teste de posthoc Dunnett e Tukey. Os dados apresentados pela curva de letalidade
em C. elegans mostraram que os animais nocaute para FTN1 e FTN2 tratados com
FAC tiveram diminuição da sobrevivência em comparação com o grupo controle,
corroborando com dados da literatura sobre a importância da ferritina em modelos
sobrecarga de ferro em C. elegans. Dados preliminares do grupo ainda não publicados
demonstraram que a agmatina protege contra os danos ferroptóticos induzidos por
RSL3 100 nM em cultivo celular HEK-293, via ativação de Nrf2, trazendo a importância
da ferritina para o contexto, entretanto, os resultados obtidos não demostraram efeito
protetor da agmatina contra os dados induzidos por RSL3, uma vez que o indutor
ferroptótico RSL3 não causou danos as células, sendo necessária mais
padronizações para o modelo experimental, bem como outros experimentos para
elucidar a hipótese do projeto.