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Abstract:
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Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma manifestação clínica potencialmente
grave, sendo a segunda principal causa de morte e terceira causa de morte e incapacidade
combinadas. O impacto do AVC na pessoa acometida é extenso. Estudos sinalizam que os
indivíduos acometidos apresentam incapacidades graves, as quais reduzem a funcionalidade e
consequentemente a qualidade de vida. Os primeiros três meses após o AVC representam um
período determinante para a recuperação motora e funcional. Identificar marcadores clínicos
precoces capazes de predizer a funcionalidade tem sido uma estratégia relevante na reabilitação
pós-AVC, especialmente no período subagudo. Objetivo: Avaliar as medidas de desempenho
e funcionalidade de indivíduos acometidos pelo AVC na fase hospitalar e após três meses do
evento cerebrovascular. Métodos: Estudo de caráter observacional prospectivo com indivíduos
diagnosticados com AVC. Foram aplicadas as seguintes escalas: Escala de Mobilidade
Hospitalar e teste de força de preensão manual com dinamômetro na fase aguda e WHO
Disability Assessment Schedule 2.0 (WHODAS 2.0), Classificação Funcional de Deambulação
(FAC) e Escala de Rankin Modificada (mRS), por contato telefônico, na fase subaguda.
Resultados: Na fase aguda, os participantes apresentaram, em sua maioria, incapacidade
funcional moderada a grave, mobilidade reduzida e déficit de força de preensão manual. Na
fase subaguda, a aplicação do WHODAS 2.0 obteve um percentual complexo de 41,51±26,51%
de incapacidade. A Escala de Rankin Modificada indicou que 44,44% dos indivíduos são
independentes, e 55,56% possuem dependência moderada, moderadamente grave ou grave.
Pela FAC, 42,59% dos participantes caminhavam de forma independente em qualquer tipo de
superfície, e 50% deambulavam apenas com algum tipo de auxílio. Foi encontrada correlação
estatisticamente significativa entre o WHODAS 2.0 e o Rankin após três meses (ρ=0,87;
p=0,87; p<0,001) e entre o WHODAS 2.0 e a FAC (ρ=-0,83; p<0,001). A análise de regressão
linear demonstrou que a mobilidade foi um preditor significativo da funcionalidade percebida
(WHODAS%), explicando isoladamente 25,6% da variância do desfecho (R² = 0,256; p <
0,001). Após o ajuste por covariáveis clínicas e sociodemográficas (idade, sexo, tipo de AVC,
trombólise, dias de internação e realização de fisioterapia), a mobilidade manteve-se associada
de forma independente à funcionalidade, elevando o R² do modelo de 0,338 para 0,483 (ΔR² =
0,145; p < 0,001). Conclusão: A maioria dos pacientes apresentou incapacidade moderada a
grave na fase aguda, com limitações funcionais persistentes três meses após a alta hospitalar. A
mobilidade na fase aguda destacou-se como principal preditor da funcionalidade três meses
após o AVC. |