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Abstract:
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Introdução: A Agência Transfusional é responsável por todas as etapas da transfusão de sangue, desde a estocagem de bolsas e hemocomponentes até a reserva e distribuição para as unidades solicitantes. Apesar de ser uma prática consolidada, a transfusão envolve riscos e pode gerar eventos adversos em diferentes fases do processo, o que torna necessário o aprimoramento contínuo do ciclo do sangue. Nesse cenário, o pensamento Lean, originado no Sistema Toyota de Produção e adaptado para a saúde como Lean Healthcare, vem sendo utilizado em diversos países para otimizar processos, reduzir desperdícios e fortalecer a segurança do paciente. Objetivo: Mapear o processo assistencial da hemotransfusão do paciente internado na agência transfusional a partir do pensamento Lean, identificando falhas e propondo melhorias. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo exploratório-descritivo, desenvolvido na agência transfusional do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC/EBSERH). A coleta de dados ocorreu por meio de observações diretas em diferentes turnos de trabalho e entrevistas semiestruturadas com a equipe multiprofissional. A análise foi baseada no Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV), contemplando as etapas de identificação de clientes e requisitos, validação do mapeamento, levantamento de problemas, priorização e planejamento de melhorias. Resultados: Até o momento, foram realizadas 20 horas de observação in loco, envolvendo 14 profissionais de diferentes categorias, como bioquímicos, técnicos de laboratório, técnicos de enfermagem e enfermeiros. O mapeamento permitiu identificar etapas críticas, fornecedores e clientes de cada fase, além dos requisitos necessários para a execução segura das atividades. Os dados preliminares evidenciaram atividades redundantes, movimentações desnecessárias e dependência de sistemas informatizados, que podem gerar falhas e atrasos no atendimento. Também foram observadas oportunidades de melhoria, como padronização de rotinas, atualização de protocolos, fortalecimento da comunicação, capacitação contínua da equipe e otimização do uso de hemocomponentes. Conclusão: O MFV foi essencial para compreender detalhadamente o processo transfusional e subsidiar a proposição de melhorias. Embora os efeitos concretos ainda não possam ser mensurados, por se tratar de uma pesquisa em andamento, os resultados preliminares indicam que a integração entre ferramentas de gestão, engajamento da equipe multiprofissional e monitoramento contínuo pode contribuir para práticas transfusionais mais seguras, eficientes e centradas no paciente. |