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Abstract:
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O glifosato é o principal herbicida utilizado no mundo. Estudos apontam uma possível relação entre a exposição ao glifosato e o desenvolvimento de doença renal crônica (DRC), embora os mecanismos ainda não estejam totalmente elucidados. Este estudo investigou os efeitos do glifosato, de seu principal metabólito ácido aminometilfosfônico (AMPA) e de um herbicida à base de glifosato (GBH) sobre a atividade metabólica e o estresse oxidativo em linhagem de células renais embrionárias humanas HEK-293. As células foram cultivadas em meio DMEM com 10% de soro fetal bovino e expostas por 24 ou 48 horas a diferentes concentrações dos compostos, incluindo 500 µg/L — limite permitido na água potável no Brasil. Foram avaliadas a viabilidade e proliferação celular, além da atividade das enzimas aspartato aminotransferase (AST), alanina aminotransferase (ALT), gama-glutamiltransferase (GGT), glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) e lactato desidrogenase (LDH), bem como a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), os níveis de glutationa reduzida (GSH) e do fator nuclear kappa B (NF-κB) fosforilado. Após 48 h, o GBH reduziu significativamente a viabilidade celular (10 mg/L). Todos os compostos comprometeram a proliferação celular (>50%) e inibiram a atividade da LDH; o glifosato também inibiu a atividade da GGT. Além disso, o AMPA inibiu a atividade da G6PD. O ensaio de docking molecular revelou que o glifosato interage com resíduos críticos da subunidade A da LDH (LDHA) em seu sítio alostérico. Glifosato e GBH elevaram a produção de EROs, enquanto todos os três compostos diminuíram os níveis de GSH, sugerindo disfunção mitocondrial e dano oxidativo. Por fim, somente o AMPA aumentou os níveis de NF-κB fosforilado. Esses resultados sugerem que os compostos testados afetam o metabolismo e promovem estresse oxidativo em células renais da linhagem HEK293. Em conjunto, nossos achados corroboram a hipótese de que o glifosato, mesmo em baixas concentrações, pode afetar o metabolismo, a proliferação e a viabilidade de células renais, e estes efeitos podem estar envolvidos, pelo menos em parte, na base bioquímica para o desenvolvimento de DRC. Novos experimentos são necessários para comprovar esta hipótese. Suporte financeiro: PIBIC/CNPq/UFSC, CAPES, CNPq, FAPESC, PPSUS. |