Variações atmosféricas: a disputa pelos ares na poesia brasileira
Author:
Salatiel, Ana Carolina Rodrigues
Abstract:
Este vídeo buscou descrever a pesquisa sobre a metamorfose e a respiração como efeitos poéticos do canto-chamado da etnia Kisêdjê, performado em uma celebração intitulada Festa do Rato, ocorrida em 1972 no Parque Indígena Xingu (Mato Grosso). Esta análise foi fundamentada principalmente por Seeger (2015), sendo observada como o canto-chamado performa a passagem de uma condição à outra pela nomeação de um membro da etnia. O intuito da análise do canto consistiu em observar e formalizar como a metamorfose, pensada por Emanuele Coccia (2020), operou como um dos componentes na realização da poesia estudada, bem como o efeito anti-asfixia, pensado por Franco Berardi (2020), que esses cantos propiciaram ao se desvencilhar de poéticas coloniais. A metamorfose, para Coccia (2020), é entendida como a possibilidade de abrir espaço para que o outro possa existir em conjunto, enquanto que a respiração para Berardi (2020) consiste em estabelecer um ritmo com o entorno pela via dos registros sígnicos musicais e poéticos. O resultado e conclusão geral desta pesquisa mostrou como a ética de criar e performar poesias através do canto-chamado se diferenciam das poéticas coloniais ao abrigar no seu fazer a possibilidade do outro compor o espaço da criação (Cesarino, 2013). Além disso, este trabalho também visou descrever como ocorreu o plano de atividades desenvolvidas pela bolsista em conjunto ao orientador, de modo que foram fundamentais para a minha formação como pesquisadora, bem como para formalizar as pesquisas esboçadas neste vídeo.
Description:
Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica.
Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Comunicação e Expressão. Departamento de Língua e Literatura Vernáculas.