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Abstract:
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O presente trabalho, vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UFSC), teve como objetivo desenvolver um guia metodológico voltado à promoção do desenvolvimento territorial sustentável em áreas rurais catarinenses, a partir do enfoque da Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST). Essa abordagem busca articular recursos ambientais, culturais, históricos e agroalimentares, em sinergia com o Turismo Rural de Base Comunitária (TRBC), promovendo inclusão produtiva, renda de qualidade territorial e fortalecimento da identidade local.
A pesquisa foi conduzida em duas etapas principais. Inicialmente, realizou-se uma revisão sistemática da literatura (2019–2024), que evidenciou a CBST como estratégia inovadora de valorização dos recursos locais, mas ainda limitada pela ausência de padronização metodológica e pela concentração de estudos na região Sul do Brasil. Em seguida, foi proposta uma construção metodológica adaptada à realidade brasileira, estruturada em cinco etapas: (i) inventário participativo de recursos; (ii) caracterização de singularidades; (iii) diagnóstico do grau de valorização; (iv) elaboração de um plano coletivo de desenvolvimento; e (v) mapeamento de competências para ação coletiva.
As atividades de campo ocorreram em quatro municípios catarinenses (Paulo Lopes, Anitápolis, Santa Rosa de Lima e Rio Fortuna), com oficinas participativas fundamentadas na pesquisa-ação. Nelas, agricultores, gestores e organizações locais identificaram recursos estratégicos, entre os quais se destacaram: paisagem, gastronomia, águas (nascentes, cachoeiras, termalismo), agroturismo/Acolhida na Colônia, mel e derivados, agricultura familiar/agroecologia e vida silvestre. O processo revelou alto potencial de valorização cultural e ambiental, ao mesmo tempo em que evidenciou fragilidades organizacionais e comerciais, como a ausência de marcas territoriais e de estratégias conjuntas de comercialização.
Os resultados demonstram que a CBST pode atuar como ferramenta prática de inovação socioambiental, fortalecendo a articulação entre agroecologia, saberes tradicionais e tecnologias sociais. A abordagem promove circuitos curtos de comercialização, amplia a soberania alimentar, estimula a cooperação comunitária e favorece a preservação cultural e ambiental. Além disso, relaciona-se diretamente a diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como erradicação da pobreza, igualdade de gênero, consumo e produção responsáveis, vida terrestre e parcerias multissetoriais.
Conclui-se que a CBST constitui não apenas um conceito analítico, mas uma estratégia concreta de desenvolvimento inclusivo e sustentável, cuja efetividade depende da articulação com políticas públicas e da consolidação de processos participativos de governança territorial. A experiência adquirida no Território Serramar confirma a relevância da metodologia proposta e sua aplicabilidade para fortalecer a agricultura familiar e dinamizar economias locais. |