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Abstract:
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A macroalga Gracilaria domingensis (Rhodophyta) apresenta grande importância econômica e ecológica, sobretudo como fonte de ficocolóides e pelo potencial de cultivo sustentável em áreas costeiras brasileiras. Apesar disso, pouco se conhece sobre como a disponibilidade de nutrientes, em especial o nitrogênio, influencia seu metabolismo e crescimento. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos de diferentes concentrações de nitrato sobre parâmetros fisiológicos, metabólicos e morfofisiológicos da espécie. Para isso, grupos experimentais foram submetidos a 12,5 mM, 25 mM e 50 mM de nitrato, além de controles positivo (0,8 mM) e negativo (0 mM). Durante o cultivo, foram monitoradas a taxa de crescimento específico, o acúmulo de amido e açúcares solúveis, a composição de pigmentos fotossintéticos (clorofila a, carotenoides, ficoeritrina, ficocianina e aloficocianina), a autofluorescência celular e testes citoquímicos com a microscopia de luz campo claro. Os resultados mostraram que a disponibilidade de nitrato afeta diretamente a fisiologia da macroalga. A concentração de 50 mM limitou o crescimento e reduziu o teor de pigmentos, evidenciando uma possível intoxicação por excesso de nitrato. A condição de 12,5 mM apresentou o melhor equilíbrio entre crescimento e metabolismo, sendo considerada a mais adequada para o cultivo, seguido pelo grupo de 25 mM. Já o controle negativo favoreceu o acúmulo de amido, mas reduziu o crescimento, sugerindo redirecionamento metabólico para reservas energéticas. A análise de pigmentos e da autofluorescência confirmou a capacidade adaptativa da espécie às variações na disponibilidade de nitrogênio. Conclui-se que a Gracilaria domingensis responde de forma diferenciada às concentrações de nitrato, e que a concentração intermediária (12,5 mM) é a mais promissora para otimização de cultivos. Esses resultados contribuem para o avanço da maricultura e para a biotecnologia marinha, ampliando o entendimento da fisiologia dessa macroalga de interesse econômico. |