Abstract:
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Introdução: Retinopatia Diabética (RD) é uma complicação microvascular comum
associada ao Diabetes Mellitus (DM) que pode levar à cegueira. No Brasil, sua
prevalência é significativa e afeta cerca de um terço dos pacientes com DM. A RD é
classificada em estágios proliferativos e não-proliferativos, com diagnóstico baseado
em lesões microvasculares. O objetivo deste estudo foi analisar as alterações
morfológicas da RD associadas à clínica. Métodos: Foram selecionados artigos
publicados nos últimos cinco anos, nas bases de dados SciELO, PubMed e Embase,
para compor esta revisão integrativa de literatura. Incluíram-se artigos que tratavam
especificamente de alterações morfológicas da RD, enquanto foram excluídas
revisões, meta-análises e estudos duplicados. Dos 80 estudos identificados, cinco
atenderam aos critérios de inclusão. Discussão: Os principais achados indicaram que
a isquemia periférica foi determinante para a ocorrência de neovascularização
retiniana, enquanto a isquemia posterior desempenhou papel importante no
desenvolvimento de Neovascularização no Disco Óptico (NDO). A identificação do
local de alterações proliferativas permite estimar a extensão da isquemia na retina. A
diminuição da densidade vascular na mácula é uma alteração morfológica típica na
RD e preocupante no ponto de vista de perda de visão. Outros marcadores, como
maior Zona Avascular da Fóvea (ZAF), presença de anormalidades microvasculares
intrarretinianas e menor densidade vascular peripapilar temporal da retina, foram
preditores significativos de progressão da doença. A análise multifractal revelou
diminuição na complexidade da microvasculatura retiniana com o aumento da
severidade da retinopatia. Entretanto, não foi encontrada correlação significativa entre
Espessura Corneana Central (ECC) de pacientes com RD comparado à pacientes
com DM sem RD, tampouco com o estágio da retinopatia. Conclusão: Portanto,
conclui-se que a identificação de alterações morfológicas na RD associada à
integração de marcadores na prática clínica permite estimar a progressão e a
extensão da doença. Novas pesquisas são necessárias para aprimorar a gestão
clínica e reduzir desfechos negativos da doença. |