Abstract:
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O litoral de Santa Catarina é um potencial hotspot de mudanças climáticas a se manter nos próximos 100 anos, com elevação da temperatura superficial do mar entre duas e três vezes mais rápido que a média global. As mudanças climáticas impactam negativamente os mais diversos ecossistemas, afetando suas estruturas e a biodiversidade que os compõem, e registros do último milênio mostram um rápido declínio de muitas espécies marinhas. Santa Catarina, em seus 562 km de litoral, é caracterizada pelo predomínio de costões rochosos tanto na área continental quanto nas ilhas costeiras, sendo o estado limite de distribuição desses ecossistemas. Associados aos costões rochosos e ao clima tropical, alguns organismos apresentam seu limite latitudinal de distribuição na costa catarinense, os quais possuem diversas funções ecossistêmicas que fornecem serviços ecológicos e econômicos importantes para a sociedade, e estão sob constante ameaça de variáveis climáticas e antrópicas. Por conta da lacuna do conhecimento no litoral de Santa Catarina, a partir de um levantamento bibliográfico, foi criado um banco de dados contendo informações de macroinvertebrados bentônicos sésseis de substrato consolidado e sua distribuição ao longo da costa, a qual foi mostrada em mapas por sítios. Ao todo foram compilados os registros de 223 taxa de macroinvertebrados bentônicos sésseis de substrato consolidado em Santa Catarina, sendo o banco de dados com mais informações referente a esses grupos para o estado. Além disso, foi feita uma caracterização da temperatura da região com medições in situ também em diferentes locais e profundidades ao longo de anos, a fim de correlacioná-la com a distribuição das comunidades, porém não foi possível encontrar relação ou padrão. O banco de dados poderá atuar como uma base line dessas comunidades, em um ambiente propício a ser impactado pelos efeitos do aumento da temperatura superficial do mar e atividade antrópica. Com um monitoramento constante, poderão ser encontrados os principais fatores que tornam as espécies mais vulneráveis e também utilizá-las como indicadores de mudanças, além de preencher as lacunas do conhecimento ainda existente para Santa Catarina. |